O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, decidiu retirar o projeto de lei que propunha mudanças no sistema de eleição para o Senado. A medida, apresentada na semana passada, foi alvo de críticas de diversos políticos e pressionou o parlamentar a rever sua posição.
A proposta visava alterar o modelo de “votação dupla”, no qual dois terços das cadeiras são renovados a cada oito anos, para um sistema de voto único. Nesse formato, apenas um senador seria eleito em cada estado e no Distrito Federal nas eleições de 2026. Randolfe argumentou que a mudança contribuiria para trazer “mais diversidade e equilíbrio”, reduzindo a concentração de poder no atual modelo.
No entanto, a iniciativa foi interpretada como uma tentativa de conter o avanço de uma maioria conservadora no Senado, projetada para as eleições de 2026. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem trabalhado para fortalecer alianças estaduais e garantir um bloco conservador no Parlamento em 2027, incluindo a eleição de um presidente para o Senado alinhado a esse grupo.
A retirada do projeto foi feita sem justificativa formal, gerando especulações entre os senadores. Muitos acreditam que Randolfe Rodrigues pode tentar incluir a proposta em discussões sobre o novo Código Eleitoral, atualmente em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, sob relatoria do senador Marcelo Castro (MDB-PI).
O episódio reflete a polarização no cenário político e os esforços de diferentes blocos para influenciar a composição e o comando do Legislativo nos próximos anos.











