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segunda-feira, junho 1, 2026
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Facções criminosas utilizam artistas do funk para propaganda e recrutamento de jovens

No Rio de Janeiro, as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) expandiram sua disputa territorial para além das favelas e pontos de venda de drogas, engajando-se também em uma guerra cultural. Artistas de funk, rap e trap, que ganharam notoriedade local com músicas que fazem apologia ao crime em bailes financiados pelo tráfico, estão alinhando-se a essas facções. Esses músicos são utilizados para ampliar a influência das organizações e atrair jovens para o mundo do crime.

A participação desses artistas em eventos promovidos por facções específicas é restrita; um cantor associado a uma facção não pode se apresentar em áreas controladas por grupos rivais. As letras frequentemente glorificam uma vida de riqueza e aventuras associadas ao crime organizado. Analistas apontam que o financiamento de artistas e eventos musicais pelas facções é uma estratégia deliberada para recrutar jovens para suas fileiras.

Recentemente, o debate sobre músicas que fazem apologia ao crime ganhou destaque político com a introdução de projetos de lei conhecidos como “anti-Oruam”. Essas propostas buscam proibir o uso de recursos públicos para contratar shows de artistas cujas músicas promovam o crime ou o uso de drogas. O nome “anti-Oruam” refere-se ao cantor de trap Mauro Nepomuceno, conhecido artisticamente como Oruam, filho do traficante Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, atualmente preso. Esses projetos já foram apresentados em mais de 80 cidades e contam com o apoio de 130 parlamentares. Nesta semana, uma proposta semelhante foi protocolada na Câmara dos Deputados pelo deputado Kim Kataguiri (União-SP).

A vereadora de São Paulo, Amanda Vettorazzo (União), autora do projeto original, afirmou: “As organizações criminosas dominam nossa sociedade e estão em diversos espaços. Na música, entendo que a influência que artistas têm sobre jovens é imensa”. Ela enfatiza que o objetivo é combater a ideia de que a vida no crime é um caminho para o sucesso.

Oruam, por sua vez, criticou as iniciativas legislativas, afirmando que elas buscam criminalizar gêneros musicais como funk, rap e trap. Em suas redes sociais, declarou: “Nós cantamos o que vivemos. Até se proibir, nós vamos cantar. Nós somos o ódio”. Ele argumenta que as propostas atacam não apenas a ele, mas todos os artistas da cena musical.

Especialistas apontam que a associação entre música e facções criminosas não é um fenômeno novo. As organizações utilizam eventos culturais, como bailes funk, para fortalecer sua imagem nas comunidades e recrutar novos membros. A ausência de opções culturais e de lazer em áreas periféricas contribui para que esses eventos, muitas vezes patrocinados pelo tráfico, se tornem as principais formas de entretenimento para os jovens dessas regiões.

A discussão sobre a influência da música na promoção do crime e o papel do Estado no financiamento de manifestações culturais que possam fazer apologia a atividades ilícitas continua gerando debates acalorados na sociedade e no meio político.

Platão já dizia: “Cuidado com a música que o governo dá às pessoas.”

Será que sabemos a influência invisível que a música exerce em nós?

A seguir, um pequeno trecho, para degustar, da palestra sobre o “Caibalion”, proferida em Brasília em julho de 2015, pela professora de Nova Acrópole, Lúcia Helena Galvão. Nova Acrópole é uma organização filosófica presente em mais de 50 países há 54 anos, e tem por objetivo desenvolver em cada ser humano aquilo que tem de melhor, por meio da Filosofia, da Cultura e do Voluntariado.

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