O Rio Grande do Sul perdeu, nesta segunda-feira (30), uma das figuras mais emblemáticas de sua música e cultura popular. Faleceu em Porto Alegre, aos 79 anos, a cantora e acordeonista Mary Terezinha, célebre parceira artística de Teixeirinha, com quem formou uma das duplas mais conhecidas e queridas do estado.
Mary morreu em casa, durante a tarde, onde recebia cuidados médicos após sofrer uma queda que resultou em fratura do fêmur. A informação foi confirmada por seu filho, Alexandre Lima Teixeira, fruto do relacionamento com o cantor Teixeirinha.
Nascida em 1945, Mary Terezinha começou sua trajetória musical ainda jovem. Seu talento para o acordeon a levou a dividir os palcos e os estúdios de rádio e TV com Teixeirinha, artista que se tornou fenômeno nacional com músicas que retratavam o cotidiano e as tradições gaúchas. Juntos, protagonizaram nada menos que 12 filmes, levando multidões aos cinemas e consolidando a força do cinema regional sulista nas décadas de 1960 e 1970.
Mary conquistou o carinho do público não apenas pelo talento musical, mas também pela simpatia e carisma. Em entrevista concedida ao jornal Zero Hora, em 2022, ela recordou com emoção a intensa vida artística que teve:
— Eu fui feliz. Sou feliz. O que vivemos foi um milagre — afirmou na ocasião.
Trajetória na música gospel
Nas últimas duas décadas, Mary Terezinha direcionou seu talento para a música gospel, após ter se batizado na Igreja do Evangelho Quadrangular. Gravou seis CDs com composições próprias, todas voltadas à fé, mas sem abandonar ritmos tradicionais gaúchos como vanerão, rancheira e música popular, marcando a fusão entre a cultura regional e a espiritualidade.
Problemas na coluna e dores crônicas acabaram por afastá-la gradativamente dos palcos. Durante a pandemia, segundo relatos do filho, ela passou por um período difícil, mantendo-se reclusa e com dificuldades de comunicação.
Mary Terezinha também fez parte da emissora embrião do Grupo RBS, atuando no rádio e na televisão, onde mantinha contato próximo com fãs que, segundo ela, escreviam cartas constantemente — todas respondidas com dedicação.
— Mexe demais lembrar dessa época — confidenciou, emocionada, na entrevista de 2022.
Sua morte deixa uma lacuna na música gaúcha, mas seu legado permanece vivo entre os fãs e nas canções que eternizaram sua voz e talento.











