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quinta-feira, agosto 27, 2026
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A Educação pede socorro no Brasil: urge investir no conhecimento do povo e dos governantes

O Brasil é uma nação de imenso potencial, de riquezas naturais abundantes, peculiares e diversificadas, para além da Amazônia. Um país de tantas culturas, de criatividade, empreendedorismo, ousadia — apesar do Estado patrimonialista atrasado que impera. No entanto, tudo isso sem projetos e ações bem direcionados, fica apenas no “e se”. Em nosso legado tupiniquim, arrastamos uma das mais lamentáveis deficiências para o desenvolvimento, em todos os sentidos, de um povo: o desprezo pela, e a ineficácia da área educacional.

Tal situação crítica da Educação avulta em uma tríade aterradora: a falta de investimentos adequados, a estrutura precária e a urgente necessidade de uma reformulação curricular nas escolas e universidades. Sem uma mudança profunda, que vá às raízes dos problemas, incisiva e inclusiva, vamos continuar reféns de um ciclo vicioso de desigualdade, subdesenvolvimento, ignorância e bagunça.

Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam que temos os alunos mais indisciplinados do mundo. Ao mesmo tempo, os professores vêm perdendo autoridade e veem sua saúde mental se deteriorar, ainda mais sob salários baixos e rotinas extremamente desgastantes. Já entre os graduados em universidades em geral, sabe-se que boa parte é analfabeta funcional e os índices desse mal estão aumentando. Imagine o perigo de formar médicos, engenheiros, psicólogos e outros profissionais decisivos para a vida humana nessas condições.

Não obstante, o Brasil conta com bons, dedicados, capacitados e excelentes alunos, pesquisadores, cientistas e artistas. Sempre os tivemos, eles que nunca tiveram o devido reconhecimento. O Brasil nunca ganhou um Nobel. O Brasil sofre com a “fuga de cérebros” que buscam melhores oportunidades no exterior. É compreensível: poucas verbas, pouca infraestrutura, pouca eficiência. Em Educação, estamos abaixo de vários países africanos em quesitos de desempenho de alunos. Recentemente, a USP e outras universidades despencaram nos rankings de qualidade educacional no mundo – deixando, a instituição paulista, de ser considerada a melhor da América Latina em detrimento da Universidade de Buenos Aires.

EDUCAÇÃO: PARA MUDAR É PRECISO QUERER

Muitos não querem mudar – está confortável assim, manter o povo meio que na surdina, misturar Educação com politização ao desafiar a norma da LDB/96. Tocar na liberdade de expressão prevista na Constituição Federal, dificultar o acesso a livros, cada vez mais caros, empregar educadores no “quem indica” e não na qualificação ou capacidade comprovadas. Ao menos em termos de potencial – experiência nem sempre é tão importante.

E é importante, ao mesmo tempo, dar oportunidades a todos, para inclusão e renovação da Educação.

Infelizmente, o atual governo cortou verbas vultosas da Educação – universidades “penam” com atrasos e migalhas, a pesquisa não tem o apoio financeiro necessário. E temos, como disse, bons pesquisadores aguardando. Ademais, a polaridade política acabou afetando de forma desmedida as universidades, essa é a verdade.

Universidades e instituições de ensino em geral devem ser meios de cooperação entre diversidades; devem, sobretudo, fazer com que cada aluno pense por si mesmo e “faça o seu caminho”. Professores não podem ser doutrinadores políticos ou ideológicos: são educadores, instrutores, guias. Não são e não podem ser militantes.

A FALTA DE INVESTIMENTO EM EDUCAÇÃO NO BRASIL ESTÁ EXPOSTA

Dados do Relatório de Monitoramento Global da Educação da UNESCO de 2023 revelaram que o Brasil, não obstante ter aumentado sua porcentagem do PIB dedicada à Educação nas últimas décadas, encontra desafios robustos em termos de alocação e retorno sobre o investimento. Comparado a países com sistemas educacionais mais desenvolvidos, os recursos na nossa terra frequentemente se perdem em burocracia; ou não chegam a impactar positiva e incisivamente a qualidade do ensino.

O Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) repetidamente coloca o Brasil nas últimas posições em leitura, matemática e ciências, evidenciando que o modelo atual não prepara os jovens para os desafios do mundo contemporâneo. Que estamos atrasados, e muito. A desconexão entre o que se ensina e o que o mundo e a própria vida pessoal dos alunos exige, é um dos maiores gargalos para a inovação e o progresso do Brasil e de outros países de Terceiro Mundo, ou até emergentes.

Tal realidade grita mais alto ao se observar a disparidade entre as redes pública e privada, perpetuando um abismo social inaceitável. No Primeiro Mundo, por exemplo, a maioria dos países têm muitas escolas públicas – isto é, gratuitas – até melhores que as particulares, e inclusive os filhos dos “poderosos”, milionários e bilionários, estudam ali. Aqui, a realidade é bem outra. A educação estatal agoniza.

A infraestrutura das instituições de ensino no nosso país é, em muitos casos, vergonhosa. Escolas sem saneamento básico, sem alimentos, salas de aula superlotadas, falta de materiais didáticos e de laboratórios equipados, alunos que não respeitam professores (como divulgou a pesquisa citada da OCDE) e professores exauridos, mesmo no Nível Superior.

É claro que isso não é regra para todas as instituições, sejam públicas ou privadas. Porém, sempre é um desafio encarar a necessidade de melhorias na Educação da terra verde e amarela.

Um levantamento do Censo Escolar 2023 divulgado pelo INEP — Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira —, por exemplo, demonstra que uma parcela significativa das escolas públicas brasileiras ainda não possui as condições mínimas para um aprendizado de qualidade. Isso compromete a saúde e o bem-estar de alunos e docentes. Como esperar excelência acadêmica em ambientes tão desfavoráveis?

E talvez o mais insidioso dos problemas: a obsolescência dos currículos, alinhada à já mencionada falta de uma reforma educacional vital, fulcral, alinhada aos nossos tempos e demandas mais urgentes, e a um futuro com mais esperança e prosperidade.

IDEOLOGIAS ENGESSADAS OU UNÍVOCAS NO ENSINO

Grande parte de nossas escolas e universidades opera a partir de modelos pedagógicos do século passado ou desatualizadas, ou confusas. Desconsideram um mercado de trabalho em constante transformação e as habilidades exigidas pelo século XXI: pensamento crítico, criatividade, colaboração e resolução de problemas, além de conhecimento tecnológico, não para “fazer tudo no Chat GPT ou com Inteligência Artificial (IA). Estes e outros meios devem servir como ferramentas de auxílio, e não protagonistas.

É, meus amigos, é triste. Não é drama.

O pior é que o desprezo pela Educação e a ineficiência nessa vital área no Brasil vem de séculos. A muitos nunca interessou melhorá-la: é bom que a ignorância prevaleça. Muitos de nossos governantes nos envergonham do ponto de vista do conhecimento e da instrução. Não é fácil governar nenhum país, ainda mais um do tamanho do Brasil, em nenhum cargo político.

FALTA EDUCAÇÃO AOS NOSSOS GOVERNANTES: SÃO FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS QUE EXIGEM PREPARAÇÃO INTELECTUAL

Tenho uma sugestão que, imagino, não atenda às expectativas da grande maioria dos nossos candidatos e políticos: se são funcionários públicos, devem prestar concurso antes de serem aprovados: no mínimo, Língua Portuguesa, Lógica e Matemática, Administração Geral e Pública e Direito Constitucional. Eliminaria muitos “engambeladores” e despreparados, muitos demagogos ineptos. Não seria garantia de grandes melhorias, mas um passo em direção a isso: Educação nunca é demais.

Em nosso país, a Educação não se resume a falhas administrativas, estas que são tão e cada vez mais comuns em nossos desgovernos; é uma “ferida aberta na alma da nação”. É uma ferida infeccionada sem previsão de cura, ou grande melhora: o desprezo pelo futuro de milhões de crianças e jovens, e mesmo estudantes de todas as idades, é a perpetuação da desigualdade e a condenação a um desenvolvimento medíocre.

Ao Brasil é urgente acordar para a urgência de uma revolução na Educação: investimentos sérios, infraestrutura digna e uma reformulação nos currículos que estabeleça o país no caminho da prosperidade e da justiça social. Populismo não adianta. Censura não adianta. Cortar galhos não acaba com a raiz, em si mesma apodrecida.

Somos 213 milhões de “pequenos aprendizes” em uma democracia que lhes fazem a voz soberana. Precisam pensar mais por si mesmos e adquirir mais conhecimentos, vigiar, criticar, propor, mudar. As decisões mais importantes urgem ser tomadas por quem foi diretamente eleito por nós, por vocês, o povo. E o povo, nossos eleitores, precisa votar melhor, deixar falácias de lado, entender de Economia, Justiça Social e Administração mais que de militância, tal como seus candidatos e governantes.

Quem pensa mais, vota melhor e fiscaliza melhor o governo — o Brasil tem a maior e mais cara máquina política do mundo. Esse acompanhamento crítico, essa fiscalização e esse poder de voz para exigir dos governantes é direito e dever do eleitor em uma democracia que de fato seja democracia.

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