A Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por meio do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos, deflagrou nesta terça-feira (12) a segunda fase da Operação Medici Umbra, que investiga um grupo criminoso especializado em golpes contra médicos gaúchos.
A organização criminosa usava “sósias” — pessoas com aparência semelhante às vítimas — e inteligência artificial para forjar documentos falsos, invadir contas bancárias e realizar transferências fraudulentas.
Mandados cumpridos em três estados
Nesta etapa, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão em São Paulo (SP), Ananindeua (PA) e Vila Velha (ES).
Segundo o delegado Eibert Moreira Neto, diretor do Departamento de Crimes Cibernéticos, o grupo possui uma estrutura organizada, com integrantes responsáveis por suporte logístico, recrutamento dos “sósias” e obtenção de dados sigilosos.
Como o golpe funcionava
O esquema iniciava com a invasão da conta de e-mail das vítimas, seguida da obtenção de acesso ao portal gov.br, onde dados pessoais e documentos oficiais eram coletados, inclusive declarações de imposto de renda.
Em São Paulo, um dos alvos recrutava moradores de rua com semelhança física aos médicos, modificando suas imagens via inteligência artificial para gerar documentos falsos capazes de passar por biometria facial e outras verificações.
Com esses documentos, os criminosos abriam contas bancárias e em corretoras em nome das vítimas, para onde transferiam valores das contas originais.
Investigação e vítimas
A investigação começou em janeiro, após um médico de Porto Alegre denunciar uma tentativa de golpe que envolvia cerca de R$ 800 mil. Após essa denúncia, outras vítimas foram identificadas, totalizando um prejuízo aproximado de R$ 80 mil.
Os médicos vítimas tinham perfil semelhante: geralmente acima de 60 anos e usavam o mesmo provedor de e-mail, o que facilitava o ataque dos golpistas.
A “família do crime”
Na primeira fase da operação, cinco integrantes do grupo foram presos em São Paulo, sendo eles uma mulher de 28 anos, apontada como líder, seu companheiro e outros familiares.
Todos possuem histórico de crimes eletrônicos e estelionato em diferentes estados. O delegado Moreira Neto descreveu o grupo como “a verdadeira família do crime”.







