O Tesouro Nacional emitiu um alerta sobre o crescimento acelerado das despesas com o Benefício de Prestação Continuada (BPC), destacando o risco fiscal crescente e a possibilidade de o programa superar o Bolsa Família em volume de gastos.

Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, o aumento das despesas com o BPC é “matematicamente inviável” dentro dos limites do novo arcabouço fiscal.

Em 2026, o governo estima gastar R$ 140,1 bilhões com o BPC, ante R$ 119,1 bilhões previstos para este ano, representando uma alta de quase 18% entre os exercícios.

O projeto original do governo para endurecer as regras do BPC foi desidratado no Congresso, frustrando a expectativa de economia de R$ 12 bilhões até 2030.

Comparativo entre propostas:

CritérioProposta do governoTexto aprovado pelo Congresso
Renda familiarIncluía cônjuges/irmãos casados fora do domicílioApenas moradores da mesma residência
Cálculo da rendaIncluía outros BPCs recebidosExcluiu valores de outros BPCs do cálculo

Essas mudanças afrouxaram os critérios de elegibilidade, comprometendo o controle sobre o programa.

Ações do governo:

  • Revisão de cadastros (pente-fino) cancelou 33.966 benefícios no 1º bimestre de 2025

  • Meta de 482 mil cancelamentos até o fim do ano

  • Decisões judiciais liminares dificultam o controle e elevam concessões

  • 1 milhão de beneficiários não têm o código da deficiência informado

Declarações:

Rogério Ceron, secretário do Tesouro:

“Vai ter que ser enfrentado continuamente. É uma questão matemática.”

Rui Costa, ministro da Casa Civil:

“Se o programa é para deficientes, você precisa saber qual é a deficiência da pessoa.”

O alerta do Tesouro reforça a necessidade urgente de reequilíbrio das contas públicas, especialmente diante de pressões crescentes sobre despesas sociais obrigatórias.