A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu, nesta quarta-feira (25), os responsáveis por uma clínica de reabilitação para dependentes químicos em Farroupilha, na Serra Gaúcha. Um homem de 31 anos e uma mulher de 40, administradores da instituição, foram detidos sob suspeita de uma série de crimes, incluindo tortura, maus-tratos, extorsão, lesão corporal e cárcere privado.
Segundo o delegado Fernando Cruz Alexandre, titular da Delegacia de Farroupilha, as denúncias apontam para um cenário sistemático de abusos, com internações forçadas, uso de sedativos sem supervisão médica, trabalho forçado e castigos físicos. Apesar das prisões, a clínica não foi interditada, mas o município anunciou que irá reavaliar o alvará de funcionamento nos próximos dias.
🚨 Relatos chocantes
Durante os mandados de busca e apreensão, diversos internos relataram estar no local contra a própria vontade, sem ordem judicial ou prescrição médica. Pacientes eram dopados por dias, mantidos desacordados e, ao acordar, forçados a realizar todas as tarefas do local, como cozinhar, limpar, cuidar de outros internos — tudo sem remuneração.
Entre os casos mais graves relatados pela polícia está o de um idoso de 91 anos, que ficou sob os cuidados de outros pacientes e só recebeu atendimento médico três dias após fraturar o fêmur.
Em outro episódio, um interno disse ter sido dopado, amarrado, espancado e submetido a sufocamento com pano molhado no rosto. Ele também relatou agressões nas partes íntimas e ameaças constantes de retaliação caso tentasse fugir.
💰 Extorsão e cárcere
Segundo o delegado, os familiares só conseguiam retirar os pacientes mediante pagamento. Um dos casos citados aponta a exigência de R$ 13 mil para liberar um dos internos, o que configura extorsão.
A maioria das internações, conforme a investigação, era feita à força, e muitos internos eram obrigados a assinar documentos falsos, como termos de internação voluntária.
🛡️ Ação policial e acolhimento
A operação foi coordenada pela Delegacia de Polícia de Farroupilha, com apoio do Ministério Público e da Assistência Social do município. Cerca de 13 policiais civis participaram da ação, que resultou no resgate de dezenas de pacientes, encaminhados às famílias ou cidades de origem, com acompanhamento da assistência social.
O inquérito policial deve ser concluído em até 25 dias. Se as denúncias forem confirmadas, os responsáveis poderão pegar penas que ultrapassam 30 anos de prisão.







