Com crescimento expressivo na área plantada, a cultura da canola tem se mostrado uma importante aliada da apicultura no Rio Grande do Sul. A oleaginosa oferece alimento para as abelhas em períodos de escassez de floradas, especialmente no inverno, garantindo a atividade dos enxames e contribuindo para a polinização das lavouras.

Nos dias frios, os campos cobertos de flores amarelas tornam-se um atrativo para os insetos, que, ao visitar as plantas, facilitam a fixação das flores e ajudam a elevar a produtividade final. Esse processo é potencializado pela apicultura migratória, em que produtores transferem colmeias para áreas próximas às lavouras de canola.

“A presença de abelhas na lavoura resulta em ganho de rendimento e uniformidade. É uma sinergia sustentável que fortalece as duas atividades”, explica Alencar Rugeri, engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar.

Área plantada cresce 20% em 2025

Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola), a área cultivada no RS em 2024 foi de 179 mil hectares. Para 2025, a estimativa é de crescimento de 20%, atingindo 215 mil hectares. A Emater projeta área de 203 mil hectares, com produtividade média de 1.737 quilos por hectare.

A região de Santa Rosa, no Noroeste do Estado, é um dos principais polos de produção. De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater, até 31 de julho as lavouras do município estavam 53% em desenvolvimento vegetativo, 38% em floração e 9% em enchimento de grãos — estágios mais avançados do que a média estadual.

Polinização assistida em 4 mil hectares

O presidente da Abrascanola, Vantuir Scarantti, ressalta que o Estado possui um dos projetos mais completos de polinização assistida do Brasil, abrangendo cerca de 4 mil hectares de lavouras de canola integradas à apicultura.

“Essa integração ocorre em regiões onde as lavouras estão mais desenvolvidas. Em julho, as chuvas atrapalharam, mas a melhora no clima no fim do mês foi essencial para os produtores realizarem manejos e aplicações de inseticidas e fungicidas”, destacou Scarantti.

Com a expansão da canola, o Rio Grande do Sul consolida a cultura como fonte de óleo vegetal e biodiesel, ao mesmo tempo em que fortalece a produção de mel, mostrando como a agricultura pode aliar produtividade e sustentabilidade.