Durante visita à Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, o governador Eduardo Leite anunciou, nesta segunda-feira (9), um investimento emergencial de R$ 112,6 milhões para enfrentar a atual crise na saúde pública do Rio Grande do Sul. A ação integra o novo programa estadual batizado de “Inverno Gaúcho com Saúde”, voltado para o reforço da rede hospitalar e da atenção primária durante os meses mais críticos do ano.

📌 Divisão dos recursos

Do total anunciado:
  • R$ 12,6 milhões serão repassados diretamente aos municípios, com foco no fortalecimento da atenção primária à saúde.
  • R$ 100 milhões serão destinados à rede hospitalar, sendo:
    • R$ 40 milhões para abertura de novos leitos clínicos e de UTI;
    • R$ 60 milhões para aquisição de medicamentos e insumos hospitalares.

📈 Proposta de aumento no investimento estadual em saúde

Além das medidas emergenciais, o governador propôs um pacto com o Ministério Público do RS (MPRS) para ampliar o percentual de investimento obrigatório em saúde, passando dos atuais 12% para 14,5% da receita líquida de impostos.O novo patamar permitiria um incremento de:
  • R$ 250 milhões em 2025;
  • R$ 750 milhões em 2026;
Totalizando R$ 1 bilhão em investimentos adicionais no período de um ano e meio. As tratativas com o MPRS estão, segundo Leite, em fase avançada.

🏥 Reforço ao SUS Gaúcho e críticas à defasagem federal

O governador também reafirmou seu compromisso com o programa SUS Gaúcho, que prevê a complementação de recursos da Tabela SUS — frequentemente criticada por sua defasagem histórica.Leite destacou que alguns procedimentos seguem com valores irrealistas, como consultas médicas especializadas remuneradas em apenas R$ 10, valor fixado em 2008 pela União.
“Estamos pagando a conta de um sistema subfinanciado. A saúde é dever de todos os entes federativos, mas os municípios e os estados estão sobrecarregados diante da omissão federal em atualizar a Tabela SUS”, afirmou Leite.

💬 Contexto e impacto

O anúncio ocorre em um momento de pressão crescente sobre o sistema de saúde, agravado por infecções respiratórias, lotação em emergências e déficit de profissionais. A expectativa do governo é que os recursos anunciados aliviem a pressão imediata sobre hospitais e postos de saúde, ao mesmo tempo em que abrem caminho para um novo pacto federativo na saúde.