Novos e perturbadores detalhes emergem sobre o caso da jovem Viviana Villalba, de 22 anos, que morreu atropelada e teve seu corpo transportado por quilômetros no teto de um veículo na madrugada de domingo (8 de junho de 2025) na RS-344, entre Santo Ângelo e Giruá. A jovem, de nacionalidade argentina, trabalhava em uma boate em Giruá, no Noroeste gaúcho, e seu comportamento antes do acidente levanta a hipótese de um surto psicótico.

Viviana, natural de Pueblo Illia, na província de Misiones, estava empregada há cerca de duas semanas em uma casa noturna localizada na rua Guarani, nas proximidades da RS-344, onde ocorreu a tragédia. Colegas de trabalho relataram à polícia que, por volta das 3h da madrugada, Viviana saiu do estabelecimento a pé, sem rumo aparente.

Mistério e Comportamento Inusitado: Imagens de câmeras de segurança da região mostram a jovem caminhando completamente nua da cintura para baixo, vestindo apenas um moletom. Os motivos desse comportamento ainda são desconhecidos, mas a possibilidade de um surto psicótico não é descartada pelas autoridades.

O atropelamento fatal ocorreu por volta das 3h30min, no quilômetro 65 da rodovia. Exames periciais indicam que o impacto foi tão severo que provocou morte instantânea. O veículo, um Volkswagen Fox, era conduzido por um homem de 21 anos que retornava de uma festa em Santo Ângelo.

Motorista Alega Falta de Visibilidade e Medo: Em depoimento, o motorista alegou que pensou ter atropelado um animal devido à intensa neblina no trecho, que dificultava a visibilidade. Ele justificou não ter parado no local por medo de ser assaltado em uma área inóspita. No entanto, uma passageira que o acompanhava relatou ter notado algo que parecia ser uma perna humana no vidro traseiro. Apesar disso, o carro seguiu por mais três quilômetros.

A chocante descoberta só veio à tona por volta das 4h, quando o motorista e a passageira desembarcaram na garagem da residência do condutor em Giruá e se depararam com o corpo de Viviana preso no teto do veículo.

Investigação da Polícia Civil: Após a descoberta, a dupla acionou a Brigada Militar, que compareceu ao local juntamente com o Instituto-Geral de Perícias (IGP). Posteriormente, o motorista se apresentou voluntariamente à Polícia Civil, mas recusou-se a fazer o teste do bafômetro. A ocorrência foi registrada como homicídio culposo, caracterizado pela ausência de intenção de matar.

A delegada Elaine Maria da Silva, titular da DP de Giruá, instaurou um inquérito para apurar os fatos. Segundo a delegada, há indícios de que o motorista tenha tentado frear no momento do impacto, mesmo alegando ter confundido a vítima com um animal. “As lesões no corpo da vítima e os danos no veículo são compatíveis com a colisão. No entanto, a análise preliminar do carro indica que o condutor tentou frear na hora do acidente. Ele pode até alegar que pensou ter atingido um animal, mas o impacto de atropelar uma pessoa é muito mais forte que isso. Seria possível sentir”, avalia a delegada.

Novas imagens de câmeras de monitoramento em Giruá revelaram que o motorista passou pela mesma rua três vezes com o corpo de Viviana no teto do carro, entre 3h48min e 3h52min, intensificando as questões sobre sua percepção e conduta após o atropelamento. A Polícia Civil segue investigando para esclarecer todos os detalhes desse trágico e complexo caso.