A Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre confirmou, nesta terça-feira (12), a morte encefálica de Djonatan Patrick da Silva Oliveira, 20 anos, atingido por disparos de arma de fogo ao tentar conter um homem que assassinou a ex-companheira e o pai dela, na Ilha Grande dos Marinheiros, na noite de domingo (10).

Djonatan, que morava na região, não tinha relação com as demais vítimas. Segundo testemunhas, ele passava pelo local no momento da confusão e decidiu intervir, sendo baleado pelo agressor. Desde o dia do crime, permanecia hospitalizado em estado gravíssimo.


As vítimas

As outras vítimas são Sheila Lopes da Silva, 41 anos, atendente de padaria, e seu pai, Rogério Santos da Silva, 61 anos. Mãe e filha haviam se reunido para celebrar o Dia dos Pais quando o crime aconteceu.

De acordo com a polícia, o ex-companheiro de Sheila — com quem foi casada por mais de 20 anos e separada há cerca de seis meses — morava ao lado da casa de Rogério. No domingo, abordou a ex-esposa para conversar, mas, durante o diálogo, sacou uma arma e atirou duas vezes contra a cabeça dela.

Ao presenciar o ataque, Rogério pegou um facão e tentou impedir o agressor, mas também foi baleado e morreu no local.


Prisão e apreensão de armas

O suspeito, que trabalha como segurança, foi preso em flagrante e segue sob custódia no Hospital Vila Nova, na Zona Sul de Porto Alegre. Com ele, a polícia apreendeu três armas: uma pistola calibre 380, um revólver calibre 38 e uma espingarda tipo puma.

Segundo o delegado Anderson Hermes, o crime foi motivado pela não aceitação do término do relacionamento. Sheila não havia solicitado medida protetiva contra o agressor.


Violência doméstica no RS

O caso evidencia mais uma tragédia relacionada à violência doméstica no Rio Grande do Sul. Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que, em 2024, o estado registrou mais de 90 casos de feminicídio, mantendo um dos índices mais altos do país.

Autoridades reforçam que vítimas e familiares denunciem ameaças e agressões por meio do 190 (Brigada Militar), 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou nas Delegacias Especializadas da Mulher. Também é possível registrar ocorrência online e solicitar medida protetiva.