O inquérito que investiga as mortes das gêmeas Manuela e Antônia Pereira, de seis anos, ocorridas em Igrejinha, no Vale do Paranhana, revelou um novo indício contra a mãe das meninas, Gisele Beatriz Dias. De acordo com um relatório de buscas enviado pelo Google à polícia, mediante determinação judicial, Gisele teria pesquisado na internet se veneno de rato é capaz de matar um ser humano.
As buscas teriam sido realizadas nos dias 10, 11 e 12 de janeiro de 2024 e posteriormente apagadas do celular. As gêmeas foram encontradas mortas nos dias 7 e 15 de outubro do mesmo ano. No entanto, exames realizados nos corpos não identificaram vestígios de envenenamento, e a causa da morte ainda não foi determinada.
Defesa nega envolvimento
O advogado de Gisele, José Paulo Schneider, sustenta que não há provas de que sua cliente tenha feito tais pesquisas, alegando que o ex-marido dela tinha acesso irrestrito ao celular. Além disso, afirma que Gisele possui histórico de tentativas de suicídio, o que poderia justificar as buscas.
Indiciamento por feminicídio
A polícia indiciou Gisele por dois feminicídios, com base no entendimento de que as mortes ocorreram em contexto de violência doméstica. O delegado Ivanir Caliari explicou que a mudança na legislação entre as duas mortes alterou a classificação do crime: enquanto o caso de Manuela foi registrado como homicídio com a qualificadora de feminicídio, a morte de Antônia foi diretamente enquadrada como feminicídio.
Outras evidências e comportamentos suspeitos
A investigação também apontou outros comportamentos suspeitos da mãe. Profissionais de saúde relataram que Gisele apresentava “abortamento afetivo” em relação às filhas, demonstrando indiferença em relação a elas. Além disso, uma câmera de segurança da residência desapareceu misteriosamente dias antes da morte da primeira menina.
Outro ponto levantado no inquérito foi um depoimento da filha mais velha de Gisele, que afirmou que a mãe costumava “dar remédios escondidos” para o pai.
Compra de veneno descartada como causa
A polícia também investigou a compra de oito pacotes de veneno de rato pelo pai das meninas, Michel Persival Pereira, um mês antes das mortes. O produto foi adquirido na presença de Gisele, mas, após análise técnica, foi descartado como causa da morte, pois seria necessário um volume muito maior para provocar um óbito humano.
Michel não é considerado suspeito e, segundo seu advogado, continua sendo tratado como testemunha e vítima da situação.
Testes para outros venenos continuam
Os peritos realizaram testes para a presença de arsênio, substância que recentemente causou a morte de três pessoas em Torres, no Rio Grande do Sul, mas os resultados foram negativos. As investigações continuam para determinar se outro tipo de substância tóxica pode ter sido utilizada.
Manuela chegou ao hospital de Igrejinha com parada cardiorrespiratória, enquanto Antônia já estava sem vida ao dar entrada na unidade de saúde. As investigações seguem em andamento para esclarecer as circunstâncias das mortes e a eventual responsabilidade da mãe.







