Em um movimento diplomático inédito e de forte impacto político, o governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (18) a revogação imediata dos vistos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de seus familiares e de aliados na Corte. A decisão foi tornada pública pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, por meio de sua conta oficial na rede social X (antigo Twitter).

Rubio justificou a medida como uma reação à “censura e perseguição política” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente alvo de medidas cautelares impostas pelo STF, como uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar e restrições à comunicação.

“O presidente dos Estados Unidos deixou claro que seu governo responsabilizará estrangeiros responsáveis pela censura de expressão protegida nos Estados Unidos”, escreveu Rubio. “Portanto, ordenei a revogação dos vistos de Moraes e seus aliados na corte, bem como de seus familiares próximos, com efeito imediato.”

Apoio jurídico a Bolsonaro: mais de 15 mil advogados reagem

A decisão do governo Trump ocorre em meio a uma crescente mobilização jurídica no Brasil. Os grupos Movimento de Advogados de Direita Brasil e Movimento Advogados do Brasil, que reúnem mais de 15 mil profissionais, divulgaram nota pública em defesa de Jair Bolsonaro e com duras críticas à atuação de Alexandre de Moraes, apontando um suposto “ataque aos pilares do Estado Democrático de Direito”.

“As medidas cautelares impostas ao ex-presidente configuram uma condenação antecipada, sem julgamento e sem contraditório efetivo”, destaca o documento. “Trata-se de um desvio de finalidade e de uma repressão judicial sem precedentes.”

Os movimentos jurídicos também rechaçam a acusação de que Bolsonaro teria conspirado com o governo Trump contra o Brasil, e criticam o que classificam como “uso político da Justiça” e “abuso de poder togado”.

Casa Branca reforça apoio a Bolsonaro e amplia sanções

Além da medida contra Moraes, o governo Trump também anunciou a revogação dos vistos de oito ministros do STF — com exceção de Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux. A vice-secretária de imprensa da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou à CNN:

“O presidente Trump acredita que Bolsonaro e seus apoiadores estão sob ataque de um sistema judicial armado. Esta é uma caça às bruxas que não deveria estar acontecendo.”

Reações no Brasil: ironia e solidariedade

A decisão norte-americana gerou reações imediatas no Brasil. O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo Lula no Congresso, usou o humor para responder à sanção imposta a Moraes:

“Tenho certeza que os senhores não ficarão preocupados por não poder ver o Mickey, o Pato Donald e o Pateta. Nosso Brasil tem belezas naturais muito mais ricas e únicas.”

Randolfe também manifestou solidariedade ao ministro, exaltando destinos turísticos nacionais como o Nordeste, as serras do Sul e a Amazônia.

Impacto internacional e agravamento da tensão diplomática

A sanção anunciada por Rubio eleva o tom da já tensa relação entre os dois países e marca uma escalada sem precedentes nas críticas externas à atuação do STF no cenário político brasileiro. Analistas ouvidos por veículos internacionais avaliam que o episódio pode abrir precedente perigoso para relações diplomáticas envolvendo interferência judicial e pavimenta um cenário ainda mais polarizado no Brasil às vésperas das eleições de 2026.

Até o momento, o Supremo Tribunal Federal não se manifestou oficialmente sobre o cancelamento dos vistos.