Um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) aponta que, mesmo após a decisão dos Estados Unidos de manter cerca de 700 itens isentos da sobretaxa de importação, 85% dos produtos industriais gaúchos vendidos ao mercado americano serão atingidos pelo tarifaço de Donald Trump, que entra em vigor no próximo 6 de agosto.

A medida adiciona 40% de tarifa extra, elevando para 50% o total de impostos sobre as importações brasileiras. A Fiergs estima que o Rio Grande do Sul poderá perder R$ 1,5 bilhão em exportações no próximo ano — pouco abaixo da previsão inicial de R$ 1,9 bilhão antes do recuo parcial da Casa Branca.


📊 Impacto econômico e no emprego

O levantamento indica que mais de 140 mil trabalhadores atuam em setores vulneráveis à nova taxação, e que 20 mil postos de trabalho estão diretamente ameaçados. O RS é o segundo estado mais prejudicado, atrás apenas de São Paulo.

Entre os setores mais dependentes do mercado americano estão:

  • Armas de fogo: 86,6% das exportações têm como destino os EUA;

  • Tabaco: US$ 233 milhões exportados em 2024;

  • Madeira: US$ 102,8 milhões exportados, 1/3 do total do setor;

  • Móveis: US$ 4,5 milhões exportados no ano;

  • Arroz: EUA são o 3º maior comprador do produto beneficiado brasileiro;

  • Metalurgia e metalmecânico: setores em expansão e com contratos em andamento.


🛡 Governo estadual anuncia medidas de apoio

O governador Eduardo Leite (PSD) anunciou uma linha de crédito especial de R$ 100 milhões, com juros subsidiados, para ajudar empresas a manter capital de giro, competitividade e empregos.


🚫 Quem escapou da tarifa

Ficaram de fora da nova taxação setores como:

  • Aeronáutico (aeronaves, peças, motores, simuladores de voo)

  • Automotivo (veículos e autopeças)

  • Energia e derivados (petróleo, gás, carvão, querosene, lubrificantes)

  • Agronegócio (suco de laranja, castanha-do-brasil, madeira tropical serrada, alguns fertilizantes)

  • Mineração e metais (silício, ferro-gusa, alumina, ouro, prata, ferronióbio, alumínio e cobre semiacabados)

  • Eletrônicos (smartphones, antenas, aparelhos de som e vídeo)


📦 Setores duramente atingidos

Alguns dos principais produtos brasileiros exportados para os EUA não entraram na lista de exceções e sofrerão a tarifa integral de 50%:

  • Café – Quase US$ 2 bilhões exportados em 2024;

  • Carne bovina – 532 mil toneladas exportadas;

  • Frutas – 1 milhão de toneladas exportadas em 2023, incluindo manga, uva e açaí;

  • Têxteis e calçados – Setores já afetados por concorrência asiática;

  • Móveis – Exceto os destinados a aeronaves civis.