Na manhã desta terça-feira (20), a Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou a Operação Bunkers, uma ação coordenada contra duas organizações criminosas rivais que transformaram condomínios populares em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, em verdadeiras fortalezas para a prática de diversos crimes. As investigações revelaram que esses grupos utilizavam os residenciais como bases para atividades ilícitas, incluindo tráfico de drogas, homicídios, extorsões, cárcere privado, lavagem de dinheiro e corrupção de menores.

Estrutura Criminosa e Controle Territorial

A operação foi conduzida simultaneamente pelas 1ª e 3ª Delegacias de Polícia de Canoas, visando desarticular facções que dominavam dois grandes condomínios nos bairros Guajuviras e Mathias Velho. Esses grupos não apenas controlavam o tráfico de drogas, mas também impunham um regime de terror sobre os moradores, cobrando taxas arbitrárias e utilizando empresas de fachada para lavar dinheiro ilícito.

No condomínio do bairro Guajuviras, onde vivem mais de 4.800 pessoas, os criminosos estabeleceram empresas de vigilância, limpeza e até uma imobiliária, todas utilizadas para encobrir as atividades ilegais. Líderes das facções, mesmo presos, continuavam a comandar as operações de dentro do sistema penitenciário, demonstrando uma estrutura hierárquica bem definida e uma logística sofisticada.

Ações Policiais e Resultados

A Operação Bunkers resultou no cumprimento de 78 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão preventiva, busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias utilizadas pelas organizações criminosas. Sete pessoas foram presas, sendo que duas já estavam no sistema prisional e receberam novos mandados de prisão. As ações ocorreram em Canoas e em outros municípios do Rio Grande do Sul, como Eldorado do Sul, Cachoeirinha, Rolante, Riozinho, São Leopoldo e Gravataí, além de Lages, em Santa Catarina.

Durante as investigações, a polícia descobriu que uma das facções mantinha uma mulher e seus dois filhos em cárcere privado por cinco dias, como forma de retaliação a um ex-integrante do grupo. A vítima relatou que teve seu apartamento invadido por cinco indivíduos armados, que a ameaçaram e trancaram seus filhos em um quarto. O caso evidenciou o nível de controle e intimidação exercido pelos criminosos sobre os moradores.

Impacto e Continuidade das Investigações

A Operação Bunkers expôs a complexidade e o alcance das redes criminosas que atuavam nos condomínios de Canoas. As autoridades destacam que a ação é apenas o início de um esforço contínuo para desmantelar essas organizações e restaurar a segurança nas comunidades afetadas. A Polícia Civil continuará as investigações para identificar outros envolvidos e aprofundar o entendimento sobre o funcionamento dessas facções .