A Penitenciária Industrial de Joinville, no Norte de Santa Catarina, vai liberar 89 presos do regime semiaberto devido à superlotação. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (9) pela Secretaria de Estado da Justiça e Reintegração Social (Sejuri).

A unidade, que possui 670 vagas — sendo 490 no regime fechado e 180 no semiaberto —, abriga atualmente 996 presos, o que levou o Judiciário catarinense a determinar a antecipação de progressão de regime para equalizar o número de vagas disponíveis.

Segundo a Sejuri, a liberação ocorrerá ao longo de três dias. Parte dos presos passará a cumprir pena em regime aberto, enquanto outros serão monitorados por tornozeleira eletrônica.

Em nota, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina explicou que a medida está respaldada na Súmula Vinculante nº 56 do Supremo Tribunal Federal (STF), que permite a adoção de providências para equilibrar o déficit de vagas no sistema prisional. A prática, segundo o TJ-SC, ocorre em todo o país desde 2016.

Quem são os beneficiados

  • 24 presos terão progressão do semiaberto para o regime aberto. No regime aberto, os apenados devem:

    • Comprovar trabalho e endereço fixos

    • Estar em casa entre 20h e 6h e integralmente nos fins de semana

    • Permanecer em Joinville

    • Informar mudança de endereço

    • Comparecer ao fórum mensalmente

  • 65 presos terão antecipação para regime domiciliar, com monitoramento eletrônico. Eles precisarão:

    • Não sair do município de residência

    • Recolher-se das 20h às 6h e integralmente nos fins de semana

    • Manter endereço atualizado

    • Comprovar vínculo empregatício em até 90 dias

    • Manter telefone ativo

    • Carregar adequadamente a tornozeleira eletrônica

    • Atender aos agentes responsáveis pelo equipamento

    • Não violar, remover ou modificar o dispositivo, sob risco de regressão de regime

A lista dos presos liberados foi submetida à análise do Ministério Público e, quando necessário, a exame criminológico.

Superlotação é um desafio persistente no sistema prisional catarinense, e a Secretaria de Justiça e Reintegração Social reforçou que as liberações seguem critérios técnicos e legais rigorosos para evitar riscos à segurança pública.