O assunto do desaparecimento de Gabriel Marques Cavalheiros, de 18 anos, foi o principal comentário ao longo da semana, mas a revolta aumentou depois que o corpo do jovem foi encontrado.
_ Era só o que falava e se lamentava. Mas, depois que encontraram o corpo, piorou. Pessoal se revoltou com a atitude da Brigada (Militar). Que tipo de ação é essa? Será que já faziam abordagens como essa antes? _questionou Nelson Rodrigues, 54 anos, que é taxista e tem ponto na praça central da cidade.
Ao mesmo tempo em que se iniciava o velório de Gabriel, em outro ponto da cidade, em frente à sede da Brigada Militar do município, um grupo de moradores iniciou um protesto, utilizando cartazes e balões pedindo por justiça. Em certo momento, as mais de 100 pessoas que estavam reunidas fizeram um minuto de silêncio em homenagem ao jovem morto.
Governador do RS lamenta morte de jovem em São Gabriel e promete investigação exaustiva
O governador do Rio Grande do Sul, Ranolfo Vieira Júnior (PSDB), lamentou o desfecho do jovem Gabriel. Ele estava desaparecido na cidade após uma abordagem de três policiais militares e o seu corpo foi localizado, na tarde dessa sexta-feira, em um açude na localidade de Lava Pés.
“Venho aqui trazer a minha irrestrita solidariedade aos familiares do jovem. Desde o momento do seu desaparecimento, estou acompanhando diuturnamente este caso”, afirmou. A Corregedoria-Geral da Brigada Militar cumpriu o mandado de prisão preventiva e de recolhimento dos celulares dos três policiais militares que estariam envolvidos na abordagem a Gabriel.
Segundo Ranolfo Vieira Júnior, após a prisão dos agentes, a expectativa é que os trabalhos por parte do governo do Estado continuem intensificados para a elucidação dos fatos. “(Agora) segue a investigação de maneira exaustiva para que se apure efetivamente o que aconteceu no momento daquela abordagem”, destacou. “Nós temos a viatura que já foi apreendida e periciada, as armas utilizadas pelos policiais também estão apreendidas e serão submetidas a perícia. Foram apreendidos os celulares que eles utilizaram”, acrescentou.
Os PMs em questão, um sargento e dois soldados, tinham 16 anos, 15 anos e 6 anos de serviços da corporação, respectivamente, e foram classificados como policiais “experientes”. Em coletiva de imprensa concedida no fim da sexta-feira, o secretário de Segurança do Rio Grande do Sul, o coronel da reserva Vanius Cesar Santarosa, o corregedor geral da Brigada Militar, Vladimir Luis Silva da Rosa, e o comandante geral da instituição, coronel Claudio dos Santos Feoli, admitiram que houve erro de procedimento padrão por parte dos agentes.
Trabalho em conjunto
A corregedoria despachou três equipes especializadas para acompanhar a apuração dos fatos. O trabalho foi feito em conjunto com todos os agentes liberados pela Secretaria de Segurança Estadual, como Corpo de Bombeiros, Polícia Ambiental, helicópteros e outros equipamentos para a busca.
Hoje a investigação é coletiva, junto à Polícia Civil e Instituto Geral de Perícias do Rio Grande do Sul (IGP-RS), além do controle dos órgãos externos.
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