O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio Grande do Sul (GAECO/MPRS), com apoio da Corregedoria da Polícia Penal e da Brigada Militar, deflagrou nesta quarta-feira (28) a Operação PESB2, que visa desmantelar um esquema criminoso instalado no Presídio Estadual de São Borja (PESB). A ação ocorre após denúncias de corrupção envolvendo um policial penal, suspeito de receber dinheiro para permitir o ingresso de drogas, celulares e outros objetos ilícitos nas celas da unidade.
A operação foi conduzida nas cidades de São Borja, Itaqui e Farroupilha, com o cumprimento de oito mandados de busca e apreensão. Também houve quebras de sigilos bancário, fiscal, telemático e pessoal dos envolvidos. O servidor público investigado foi levado à Delegacia de Polícia, após os agentes encontrarem quantidade significativa de drogas em sua residência, alvo da ação judicial.
Segundo o promotor de Justiça João Afonso Beltrame, coordenador do 8º Núcleo Regional do GAECO – Central, o servidor favorecia uma facção criminosa da Fronteira Oeste, liderada pelos dois apenados também investigados. A organização é apontada por envolvimento em crimes como homicídios, tráfico, extorsão, lavagem de dinheiro e corrupção.
Durante a ação, também foram apreendidos celulares e drogas nas celas dos detentos suspeitos, líderes da facção e da galeria em que estão presos. Um dos elementos-chave da investigação foi o flagrante registrado por câmeras de segurança, que mostraram o agente recebendo um envelope dos presos — que, segundo apuração, continha dinheiro.
A investigação apura os crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva. A prática ilegal ocorreria há pelo menos um ano dentro da PESB. Até o momento, as autoridades não descartam o envolvimento de outros servidores ou comparsas externos.
Outros mandados cumpridos incluíram:
5 em São Borja, sendo 3 dentro do presídio e 2 em residências;
2 em Itaqui, em imóvel e veículo de uma mulher ligada ao esquema;
1 em Farroupilha, na casa de outra mulher envolvida com os suspeitos.
Além de João Beltrame, participaram da operação os promotores André Dal Molin (coordenador estadual do GAECO), Manoel Figueiredo Antunes, Laís Saboia Souto e Janice Katherine dos Santos Barros.
O Ministério Público reafirmou seu compromisso no combate à corrupção no sistema prisional e seguirá com as investigações para identificar todos os envolvidos na rede criminosa.







