“Já passou, já passou”, você poderá dizer, se eu falar sobre as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. Mas nós, gaúchos, em qualquer lugar do planeta, sabemos que não passou, e que será ainda mais difícil amenizar as consequências e os estragos desse desastre climático, iniciado em maio deste ano, devido ao descaso do governo federal. Não apenas ele, que seria o maior responsável por enviar auxílio, mas os governos estadual e municipal de Porto Alegre deixaram a desejar: foram avisados com chuvas em 2023, nada fizeram para prevenir ou atentar à manutenção, por exemplo, de bombas de escoamento na capital e outras estruturas e localidades vulneráveis a desastres naturais.
A verdade inegável é que o governo Lula III demorou a sequer reagir às enchentes no Rio Grande do Sul. Lula sobrevoou umas poucas vezes no RS que se afogava em águas lamacentas, sanguinolentas e gélidas, mas fez pouco mais que isso. Prometeu enviar verbas, orçadas pelo governador Eduardo Leite, gerenciadas pelo líder da “pasta das enchentes”, Paulo Pimenta. Até agora quase nada de concreto e realmente efetivo. Paulo Pimenta, do PT, foi nota dez em burocracia e descaso, e até hoje o povo gaúcho espera o que, no fundo, sabe que não virá: o mínimo de auxílio econômico e militar de que precisava e ainda precisa. Nós, gaúchos de todo o planeta e das galáxias, sabemos.
Quando houve as chuvas torrenciais em Valência, na Espanha, imediatamente o governo federal enviou cerca de 10.000 militares como força-tarefa. Ainda assim, lamentamos pelas muitas vítimas e estragos, e o governo espanhol recebe “cusparadas” de lama por não ter sido efetivo como se esperava. Imagine no Rio Grande do Sul: o que se destacou – e essa é a parte menos triste de tudo – foi a ação massiva de voluntários, inclusive celebridades, mas a maioria deles anônimos, cidadãos com pouco dinheiro e muita força de vontade, coragem e coração. Quase não se viram militares, e demoraram a chegar. Graças a Deus, muitas pessoas e animais foram resgatados por esses heróis, embora muita coisa material, como casas inteiras e o que havia dentro delas, e até cidades inteiras como Eldorado do Sul, na região metropolitana, tenham submergido, talvez para sempre.
Essa ferida dói e tem de doer em todos nós gaúchos, petistas ou não petistas, direitistas ou esquerdistas, ou nem um nem outro, como mostraram as recentes Eleições em 2024: não queremos mais extremismos, queremos ação e Economia eficiente.
Se você prestar atenção, verá bem o que aconteceu, e o que deixou de acontecer nas plagas gaúchas. Mas e agora, o que esperar? O governo Lula III levou o Brasil, economicamente, ao fundo do poço: mais de R$ 1 trilhão de déficit, recorde. E, para sustentar a maior e mais pesada máquina política do mundo, essa sim muito importante, abarcando o Judiciário mais oneroso das galáxias, aí há dinheiro, há emendas secretas multibilionárias sem transparência, cuja implementação, quase sempre a jato, desafia até as regras impostas de transparência pelo STF. Falando no Supremo Tribunal Federal, a entidade de membros vitalícios parece muito preocupada com “picuinhas” e militância política, o que não lhe caberia a priori. A impressão é de priorizar a censura institucional, que se quer democrática e imparcial mas não se mostra como tal, e as negociatas com Pacheco e Lira. Terei minha opinião censurada, como já ocorreu outras vezes, ou seguiremos a liberdade de expressão da Constituição Federal em cláusula pétrea?
Mas eu falava do Rio Grande do Sul. Meu, seu, nosso, um pedaço do nosso Brasil. E que a ferida está aberta. Dói ver os luxos inacreditáveis do Executivo, Judiciário, do Congresso nacional e de Janja e seu consorte na, até aqui, infeliz terceira versão de seu governo. O estouro, você sabe, é sempre aqui, no meu e no seu bolso: conseguimos ultrapassar a Argentina como país mais endividado da América Latina, e eles levaram décadas de peronismo e socialismo extremista para chegar a isso. Temos o maior imposto sob consumo do mundo, chegando a quase 28% (nos EUA são cerca de 7%, para se ter uma ideia…), e a segunda taxação mundial de empresas, 1% atrás da remota ilha de Malta. O governo federal arrecada, arrecada e arrecada, e não consegue tapar seus rombos homéricos e hercúleos, tem dificuldades para cortar gastos que deviam ser óbvios, no próprio governo, e em controlar a descontrolada inflação que é apenas um reflexo da inépcia econômica. Quanto mais ajudar em desastres climáticos!
Então, não “sobrou” muito dinheiro e atenção para com o extremo sul do país. Ouvi que Lula III pretendia “utilizar” a tragédia como palanque, mas como seu partido e seus aliados andam “mal das pernas” entre os gaúchos e, talvez por isso, tenha desistido de priorizar o episódio tão doloroso e inesquecível das enchentes no RS. Faltaram gestão de prevenção, de socorro e proposições para evitar que eventos assim se repitam. Sabemos do superaquecimento global e das queimadas (muitas criminosas e de viés político, especialmente no Centro-Sul e no Pantanal, e na Amazônia vilipendiada pelo tráfico ilegal de minérios e madeira e genocídio de índios). Sabemos que o Brasil e o planeta estão mais instáveis do que nunca, mas e aí? E as ações práticas, não apenas denúncias? Haddad ganhou, esta semana, um prêmio como uma das maiores influências climáticas no mundo – sendo ministro da Economia. Mas e o Rio Grande do Sul, e o Cerrado, na Amazônia, Haddad, Marina Silva, Lula, Congresso?
A ferida ficará aberta, que saibam. E ninguém, não sendo gaúcho e tendo atravessado esse pesadelo, poderá nos julgar.
Não vimos muitos militares ou verbas governamentais por aqui. Vimos músicas gravadas, comoção nacional, Lula III olhando do helicóptero (cadê a Janja?), Paulo Pimenta fazendo promessas. Agora, vemos propagandas estatais incentivando o turismo em um Rio Grande do Sul que ainda anda de muletas. E quase que só isso. Não, não estamos felizes como nas propagandas nos streamings e na TV.
Não queremos e não vamos deixar morrer essa pauta: as enchentes no Rio Grande do Sul. As águas secaram, foram escoadas, mas os densos respingos continuam: ineficiência, descaso, falta de investimentos e infraestrutura, falta de empatia. As Forças Armadas, como têm sido, foram mais uma vez omissas, vivendo de gordas benesses, agora se rebelando, como vários ministros, contra o corte de gastos emergencial. Corte de gastos dentro do governo perdulário! Imagine ter verbas para o povo!
Mais que gestão de crises, faltou simplesmente interesse. Paulo Pimenta, gaúcho, chefe da pasta, não foi efetivo e não tem sido. Submeteu-se à burocracia do Senado, essa que não existiu, por exemplo, nos 30 bilhões de emendas PIX e nas várias emendas mediante a farra do dinheiro público, cada vez mais liberadas de forma corriqueira. Você sabe, você paga, nós pagamos. Essas verbas de emendas não devem ir para o Rio Grande do Sul, nem para o Cerrado, nem para a Amazônia, nem para os índios que padecem de fome, doenças e suicídio, cujo número de óbitos, diante de uma assustadora alta, o desdenhoso governo federal parou de contar em 2024.
Fica a impunidade. Os mesmos prefeitos e políticos que pouco fizeram para prevenir e auxiliar nas enchentes no RS, no Cerrado e na Amazônia e na Caatinga sequíssima, continuam em cargos relevantes ou foram reeleitos nas Eleições de 2024. Sobre impunidade, me solidarizo com as vítimas do desastre na barragem de Mariana, em Minas Gerais: foram absolvidas as empresas envolvidas no desastre “natural”, esta semana: Samarco, Vale e BHP. E olha que já faz um bom tempo desde aquele “dilúvio” mineiro. O governo só tem verbas ao que lhe interessa: eles próprios. O resto é o resto. Que, hoje, são apenas pouco mais de 3% do PIB, para “gastos discricionários”, antes eram mais de 30%. Eles não ligam. Sempre terão para eles mesmos, suas ideologias e sede de poder e dinheiro.
Nós, gaúchos, nós, brasileiros, nós, trabalhadores, seguimos resistindo, como o cavalo Caramelo que sobreviveu no telhado até ser, finalmente, acudido e cuidado. Depois, muitos queriam adotá-lo, até Janja. Onde estava Janja nas enchentes?
Ainda estamos no telhado, nós, gaúchos, e quase ninguém vê. Não interessa ver. Quem sofreu com as chuvas foi e é o Rio Grande do Sul, quem sofreu em Mariana foram os mineiros, e o Cerrado, a Amazônia, a Caatinga. Porém, quem se afoga em impunidade, incongruências e inépcia é Brasília.
Ainda estamos no telhado, nós gaúchos e brasileiros, esperando socorro…












