O comércio ilegal de sementes preocupa autoridades e produtores rurais no Rio Grande do Sul. Só entre janeiro e junho deste ano, mais de 380 toneladas de sementes piratas foram apreendidas pela Divisão de Repressão aos Crimes Rurais e de Abigeato (Dicrab) e pela Secretaria Estadual de Agricultura (Seapi) em Passo Fundo e região, com valor estimado de R$ 3 milhões.
A prática, embora ilegal, segue crescendo no Estado, que lidera o uso de sementes piratas de soja no Brasil. Segundo estudo da CropLife, 28% das lavouras gaúchas utilizam sementes irregulares — quase três vezes mais que a média nacional, de 11%.
— A semente pirata não passa por nenhum controle oficial. O agricultor pode ter baixa germinação, menor produtividade e enfrentar maiores riscos de pragas e doenças. É um tiro no escuro — explica Catharina Pires, diretora de Biotecnologia e Germoplasma da CropLife.
O fator econômico pesa na escolha dos produtores, já que sementes ilegais custam menos. Entretanto, muitas vezes o agricultor é enganado por pirateiros que falsificam até embalagens.
Salvar sementes para uso próprio é permitido por lei, mas a venda desse material caracteriza pirataria e pode gerar multas de até R$ 2 milhões. Além do prejuízo direto ao produtor, o comércio ilegal ameaça a indústria de genética vegetal e a arrecadação tributária, impactando toda a cadeia do agronegócio.
— A pirataria de sementes representa perdas de até R$ 10 bilhões anuais para o Brasil. Vencer essa prática seria injetar esse montante na economia do setor — destaca Catharina.
As principais apreensões envolvem sementes de soja, trigo e forrageiras. O material apreendido é incinerado, já que não há controle sobre tratamentos ou possíveis contaminantes.











