O presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, está no centro de uma polêmica após assinar um Contrato de Confissão de Dívida de R$ 7,5 bilhões. O acordo pode beneficiar o escritório de advocacia Mollo & Silva, onde sua esposa, Renata Mollo dos Santos, é sócia administradora e seu irmão também figura como sócio. A situação levanta graves suspeitas de conflito de interesses.
A dívida, relacionada ao Postalis — fundo de pensão dos funcionários dos Correios —, estava em disputa judicial, mas a decisão antecipada de Fabiano em reconhecê-la pressionou financeiramente a estatal. Funcionários foram surpreendidos com descontos de até 75% em seus 13º salários, com relatos de trabalhadores recebendo valores irrisórios, como R$ 90. O processo gerou indignação entre os servidores ativos e aposentados.
Relações políticas e familiares
A controvérsia se intensifica com as ligações políticas de Fabiano. Próximo ao grupo Prerrogativas e ao deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), Fabiano foi indicado ao cargo no início do governo Lula. Documentos revelam que ele já foi sócio do escritório Mollo & Silva até 2022, que atuou em causas do Postalis, o que amplia as desconfianças.
Impacto na estatal
Enquanto os Correios enfrentam o maior prejuízo histórico — R$ 2 bilhões apenas em 2024 —, o alerta de insolvência se soma a decisões administrativas polêmicas. Em contraste com a crise financeira, a estatal anunciou um gasto de R$ 200 milhões para pagar o tradicional “vale peru” aos funcionários, um benefício acordado em convenção coletiva.
Em resposta às acusações, os Correios negam irregularidades e conflito de interesses, afirmando que Fabiano não possui vínculos com o escritório desde 2022. No entanto, as suspeitas seguem crescendo, enquanto funcionários e analistas questionam a gestão e as prioridades da estatal diante de um cenário econômico desafiador.











