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Guerrilha de Três Passos: 60 anos do primeiro levante armado contra a ditadura militar brasileira

Na madrugada de 26 de março de 1965, há exatos 60 anos, ocorreu na cidade de Três Passos, no noroeste do Rio Grande do Sul, o primeiro movimento armado organizado contra a ditadura militar instaurada no Brasil em 1964. Conhecido como Guerrilha de Três Passos ou Movimento Revolucionário 26 de Março (MR-26), o episódio permanece pouco estudado e reconhecido, apesar de sua importância histórica.

O Levante

Liderado pelo coronel do Exército Jefferson Cardim de Alencar Osório, o movimento contou com a participação dos sargentos Alberi Vieira dos Santos, da Brigada Militar, e Firmo Chaves, do Exército, além de 20 pequenos agricultores ligados ao Grupo dos Onze, uma organização de base incentivada por Leonel Brizola para resistir ao regime militar. O plano inicial previa a tomada do 7º Grupo de Canhões de Ijuí (atual 27º Grupo de Artilharia de Campanha), com o objetivo de desencadear sublevações em outros quartéis do interior gaúcho, como Santo Ângelo, Cruz Alta, Santa Maria e Pelotas.

Na madrugada de 26 de março, o grupo invadiu e ocupou pontos estratégicos em Três Passos: o quartel da Brigada Militar, a rádio Difusora e o presídio local. Na emissora, transmitiram um manifesto conclamando a população à resistência contra o regime militar. Embora a ação inicial tenha sido bem-sucedida, a falta de adesão em outras localidades e a rápida resposta das forças governamentais comprometeram o avanço do movimento.

Desdobramentos e Repressão

Após a ocupação de Três Passos, os insurgentes dirigiram-se ao Paraná, com a intenção de prosseguir com a resistência. No entanto, foram interceptados por tropas do Exército próximo a Capanema, resultando em confrontos que culminaram na morte do sargento Carlos Argemiro de Camargo. Entre os dias 27 e 28 de março, a maioria dos guerrilheiros foi capturada e submetida a torturas e humilhações. Jefferson Cardim de Alencar Osório foi preso e, posteriormente, conseguiu fugir, exilando-se no exterior.

Legado e Memória

Apesar de seu fracasso operacional, a Guerrilha de Três Passos representou o primeiro ato de resistência armada contra a ditadura militar no Brasil, simbolizando a disposição de setores da sociedade em enfrentar o regime autoritário. No entanto, o episódio ainda é pouco reconhecido e debatido no cenário nacional. Especialistas destacam a importância de resgatar essa memória como forma de compreender a história da resistência democrática no país e prevenir o retorno de regimes autoritários.

A cidade de Três Passos e seus habitantes desempenharam um papel crucial nesse capítulo da história brasileira. Reconhecer e valorizar essa participação é essencial para preservar a memória coletiva e fortalecer os valores democráticos.

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