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terça-feira, junho 18, 2024
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A Era das “fórmulas (in)falíveis sobre o amor”

Como “bebê” da geração Y (a partir de 1981), vi algumas décadas se passarem, e algumas coisas – hábitos, cultura, modismos – se estabelecerem de forma incisiva na realidade em que vivemos hoje. Uma dessas coisas, tenho notado, é, mais do que nunca, as fórmulas sobre o amor. São vários “gurus do amor” determinados a determinar o que é ou não amor, o que é ou não um relacionamento amoroso saudável (é claro que há premissas mínimas para isso), como ser feliz no amor, como encontrar o amor. Muitas vezes, pessoas repletas de relacionamentos malfadados, ou cuja vida amorosa desconhecemos completamente.
 
Sinceramente, não acredito em fórmulas para o amor. Amor (ou o que você entende por isso) não é um remédio que se toma, um tratamento que se faz, uma cura universal banalizada. Acredito, sim, em algumas premissas, como citei: um relacionamento amoroso saudável exige um mínimo de amor-próprio, reciprocidade, companheirismo, compreensão e, é claro, confiança. E meios financeiros para se sustentar. Isso é bastante prático, nada “etéreo” ou idealista.
 
Mas, ao mesmo tempo, somos seres tão únicos, tão diferentes entre si, ainda que unidos por nossa velha natureza humana e nossas necessidades básicas, que não se pode colocar o amor, ou um relacionamento amoroso “ideal” em nenhuma caixinha, em nenhuma lista de “deveres”.
 
Todos nós podemos, por nossa própria experiência, aconselhar, ouvir conselhos, até nos unirmos em nossas dores de relacionamentos abusivos e tóxicos na tentativa de nos curar e de alcançarmos a sensação de pertencimento. Só não me diga que “o amor é isso”, ou que “quem ama faz aquilo (e quem não ama não faz)”, “você saberá que é amor quando” etc., assim, no imperativo. Todos nós temos um caminho, para alguns de nós muito sinuoso. E o fundamento de todos os nossos relacionamentos, acredito eu, é o autoconhecimento e o amor-próprio (não falei no imperativo). Então, o que vale para uma pessoa, pode não valer para você. 
 
Confie em seu coração, sua alma, e, por que não, em sua razão. Não temos de ficar ouvindo “gurus do amor”. Fala a verdade, quantos de nós, após nos deleitarmos, muitas vezes, com conselhos imperativos sobre o amor, cumprimos o que eles dizem, tão idealizados e até utópicos? Confie na SUA história, no SEU processo, no SEU sentimento. Perdoe-se por seus erros (agora falei no imperativo, mas isso não é sobre amor, é sobre viver a liberdade de ser quem se é).
 
Sim, eu mesma já escrevi sobre o amor e o que é o amor e como encontrar o amor e como manter o amor. Mas, no fim, é no dia a dia, vida a vida íntima, que vivemos o amor ou o que chamamos de amor: para muitos, nem é um sentimento, apenas uma reação química, para outros, é transcendental, e para outros ainda, um mistério. Ou um conjunto de regras, um check-list… 
 
Seja como for, continue lendo conselhos sobre o amor, mal não faz, mas não se apegue a regras: o amor não tem regras, amolda-se ao coração, à alma e à vida de cada um de nós. Como disse Machado de Assis: “Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar.” Ora, saber amar? E quem sabe? O importante é tentar, errar e acertar. Fazer de coração, saber dizer “sim” ou “não”. E não desistir de amar e de ser amado. O resto são reminiscências generalizantes. 
 
Agora, se eu pudesse dar um conselho de amor, no imperativo, lembraria de Frida Kahlo. Teve uma vida amorosa conturbadíssima, mas a viveu intensamente. Ela não explica o que é amor, mas nossa necessidade de sermos amados e isso me parece intrínseco ao ente humano. Declarou: “Onde não puderes amar, não te demores”. A vida, mesmo que passe dos cem anos, é curta, e às vezes perdemos oportunidades e pessoas por “nos demorarmos” onde e com quem não pertencemos.
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