Agricultores da comunidade de Sagrisa, no interior de Pontão, no Norte do Rio Grande do Sul, preparam um protesto para a manhã desta sexta-feira (11) em reação à presença de grupos indígenas que ocupam há cerca de um ano uma área de preservação ambiental no município. O ato está marcado para ocorrer entre 6h e 10h.
Segundo o presidente da Associação de Produtores Rurais de Pontão, Rodrigo Carassa, indígenas de diversas reservas do Estado reivindicam a demarcação de aproximadamente 20 mil hectares na região. A área em disputa pertence ao município e integra um assentamento criado para abrigar famílias realocadas devido à construção da barragem do Passo Real, décadas atrás.
Carassa explicou que tanto a Prefeitura de Pontão quanto a Associação tentaram reverter a ocupação por vias legais. Foram protocolados pedidos de reintegração de posse e interdito proibitório — este último para impedir novas invasões ou ampliação da área ocupada. Entretanto, ambas as solicitações foram negadas pela Justiça Federal. A decisão judicial entendeu que não havia risco iminente e que as partes poderiam ocupar o local de maneira pacífica.
Para os agricultores, contudo, a realidade é diferente. O produtor Jorge Luiz Bush relatou que a convivência com os indígenas não é harmoniosa e que crescem os relatos de ameaças, constrangimentos e até casos de produtores desenvolvendo problemas de saúde devido ao medo de perderem suas terras.
— As nossas terras têm escritura há mais de 100 anos. Não faz sentido o pedido deles. Além disso, há tensão constante. Há produtores sendo coagidos e ameaçados — afirmou Bush à Rádio Uirapuru.
A mobilização desta sexta-feira tem como objetivo chamar a atenção das autoridades e da sociedade para a insegurança vivida pelos moradores e para cobrar uma solução definitiva para o impasse.
Procuradas, as lideranças indígenas ainda não se manifestaram sobre o protesto ou sobre as alegações de ameaças e conflitos.











