O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, destacou que o aumento dos gastos no Brasil está significativamente acima da média observada nos países emergentes e desenvolvidos. Durante um evento promovido pela Associação Brasileira de Câmbio (Abracam), ele ressaltou que o orçamento público do país está sobrecarregado com altos níveis de despesas obrigatórias, como o custeio da máquina pública.
Campos Neto enfatizou a necessidade de o Brasil enfrentar o problema das contas públicas e defendeu a aprovação dos projetos enviados pela equipe econômica ao Congresso, a fim de aumentar a arrecadação do governo. Ele observou que cortar gastos estruturais permanentemente é uma tarefa difícil e que a equação precisa ser endereçada de forma mais estrutural e a longo prazo.
O presidente do BC também mencionou que o crescimento dos gastos no Brasil afeta o “prêmio de risco”, ou seja, os valores exigidos pelos investidores na compra de títulos públicos brasileiros para garantir que o país honre sua dívida. Ele citou uma pesquisa da Genial Investimentos que apontou a “falta de uma política fiscal que funcione” como o principal problema da economia brasileira.
Campos Neto enfatizou que seu comentário não é uma crítica ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas sim ao sistema fiscal do país. Ele reiterou que o governo deve continuar buscando atingir as metas fiscais, mas destacou que, até o momento, o mercado financeiro não acredita que isso será alcançado.
O governo estabeleceu como meta fiscal a obtenção de um déficit zero nas contas públicas em 2024. Segundo a área econômica, seriam necessários R$ 168 bilhões em aumento de arrecadação para atingir essa meta. Economistas têm apontado a necessidade de um equilíbrio entre o corte de gastos e medidas de aumento de arrecadação para lidar com o desafio fiscal do país.
Campos Neto também mencionou que, a médio e longo prazos, as expectativas do mercado indicam estabilidade na trajetória da dívida pública, com a dívida brasileira podendo se estabilizar após 2030, em torno de 90% do PIB, graças à aprovação do “arcabouço fiscal”. Em agosto, a dívida estava em 74,4% do PIB.
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