A Bombril, empresa tradicional de produtos de limpeza conhecida pela famosa esponja de aço, anunciou nesta segunda-feira (10) que entrou com um pedido de recuperação judicial. A medida envolve também outras sociedades do Grupo Bombril e ocorre em meio a um passivo de R$ 2,3 bilhões, resultado de autuações fiscais pela Receita Federal. As autuações estão relacionadas à falta de recolhimento de tributos em operações de aquisição de títulos de dívida estrangeiros realizadas entre 1998 e 2001, período em que a Bombril era controlada pelo grupo italiano Cragnotti & Partners.
Em comunicado ao mercado, a empresa explicou que as contestações tributárias representam uma ameaça aos bons resultados contábeis da companhia e expõem a Bombril a riscos elevados, como a reavaliação da sua capacidade de pagamento por fornecedores e financiadores. Esse cenário poderia resultar na descontinuidade de relações comerciais e até no vencimento antecipado de dívidas.
A Bombril informou que a decisão de solicitar a recuperação judicial tem como objetivo renegociar sua estrutura de endividamento, preservar a continuidade operacional e proteger o fluxo de caixa da empresa. A companhia enfatizou que o processo será conduzido de forma célere, com o menor impacto possível tanto para os direitos dos credores quanto para as atividades operacionais.
Ações da Bombril caem drasticamente após pedido de recuperação judicial
Após o anúncio do pedido de recuperação judicial, as ações da Bombril (BOBR4) sofreram uma queda significativa de cerca de 30% nesta terça-feira (11). Por volta das 10h58, os papéis estavam sendo negociados a R$ 1,61, depois de uma desvalorização que chegou a 36%. Nos últimos 12 meses, as ações da empresa acumularam uma queda de 35,11%, e apenas no mês de fevereiro, a desvalorização já ultrapassou os 33%.
O pedido foi feito na 1ª Vara Regional Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem da 1ª Região Administrativa Judiciária de São Paulo, com a aprovação do conselho de administração da companhia. Esta medida vem dois anos após a Bombril ter descartado a possibilidade de recuperação judicial, optando por uma operação de cessão de direitos creditórios no valor de R$ 300 milhões para aliviar sua situação financeira.
A Bombril ainda enfrenta um passivo jurídico considerável, com contingências tributárias que ultrapassam R$ 2,3 bilhões. O valor é referente a processos envolvendo autuações fiscais relacionadas a operações de aquisição de títulos de dívida estrangeiros entre 1998 e 2001. A empresa acredita que a recuperação judicial ajudará a empresa a alcançar uma estrutura de endividamento mais saudável e abrirá portas para um novo ciclo de crescimento e investimentos, beneficiando todos os stakeholders envolvidos.











