No último dia 20, durante evento da TV Globo para anunciar a programação do Carnaval de 2025, o carnavalesco Milton Cunha emocionou o público ao descrever o desfile das escolas de samba como um ritual espiritual profundo, abordando temas como ancestralidade, quilombos e a invocação dos mortos.
Cunha explicou que o desfile começa com uma concentração energética, simbolizada pela barreira do primeiro portão da avenida, o que ele descreveu como o início das “giras”. Para ele, este momento é fundamental, principalmente para os mais velhos, que acreditam que ali “começa a cantar os mortos”. Ele explicou que, ao passar pela porta-bandeira com sua bandeira, o vento evoca os ancestrais falecidos, tornando o início do desfile um momento carregado de significado espiritual.
A sensação de respeito aos ancestrais, segundo Cunha, também está presente durante o “esquenta” da escola de samba. Esse momento, para ele, é como uma invocação daqueles que fundaram os quilombos e resistiram nas dificuldades. “Imagina um arrepio de estar ali cobrindo neste modelo de 2025”, disse o carnavalesco, ressaltando que o desfile será uma reinterpretação pulsante da tradição da escola.
O discurso de Cunha culminou com a declaração de que o desfile de 2025 será histórico, buscando explorar o “mistério dos tempos da roda de Aruanda”, representando a roda de um quilombo. O momento foi tão tocante que o jornalista Pedro Bassan, presente na ocasião, não conteve o arrepio ao ouvir as palavras de Cunha.
O carnaval de 2025 promete ser uma verdadeira celebração da memória e da cultura afro-brasileira, com um enfoque profundo na ancestralidade e na preservação das tradições que formam a base das escolas de samba.











