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Com o novo PAC, Lula, assim como Bolsonaro,  prioriza militares

Novo PAC prevê mais recursos para a indústria da Defesa, em benefício das três Forças Armadas, que para áreas como saúde e educação. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)    |     Com informações - O Sul

O novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) apresentado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está recebendo críticas por destinar mais recursos para a indústria da Defesa, em detrimento de áreas como saúde e educação. O programa inclui investimentos de R$ 52,8 bilhões para a área de Defesa, enquanto educação (incluindo ciência e tecnologia) receberá R$ 45 bilhões e saúde receberá R$ 30,5 bilhões. O total de recursos no PAC é de R$ 1,7 trilhão, divididos em nove áreas.

Essa alocação de recursos para a área de Defesa gerou críticas de especialistas em ciências sociais, que questionaram o favorecimento à indústria de Defesa. Eles também destacaram o contexto político e institucional, que envolve desconfianças do governo em relação à lealdade das Forças Armadas ao regime democrático.

Associações como a Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED), a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs) e a Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) emitiram uma nota conjunta expressando preocupação com a falta de “ousadia” do governo em lidar com a questão militar. Eles também questionaram a previsão de investimentos bilionários sem um debate prévio com a sociedade.

A nota ressalta que o orçamento destinado às Forças Armadas não é compatível com a construção de uma sociedade democrática, e destaca a importância de um povo bem educado e saudável para a defesa nacional. Além disso, levanta questões sobre a tradição golpista das Forças Armadas e o porquê de tanto gasto em um momento que o país não enfrenta ameaças iminentes.

Especialistas criticaram a falta de transparência do governo Lula em relação à questão militar e à indústria de Defesa, destacando que o investimento na área parece uma tentativa de comprar a lealdade dos militares. Eles também lamentaram a ausência de um debate público sobre esses investimentos e as políticas de Defesa, especialmente considerando as relações dos militares com o governo anterior de Jair Bolsonaro e os eventos recentes envolvendo militares em crimes e transações suspeitas.

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