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terça-feira, julho 14, 2026
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Copom deve elevar Selic para 12%; Divergências entre governo e mercado intensificam tensão

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve anunciar nesta quarta-feira (11) um aumento de 0,75 ponto percentual na taxa Selic, elevando-a para 12% ao ano, conforme apontado no Boletim Focus. Este será o último ajuste sob a gestão de Roberto Campos Neto e ocorre em meio a um dos períodos de maior tensão entre o governo federal e o mercado financeiro desde o início de 2023.

Embora o Brasil apresente resultados econômicos positivos, como crescimento do PIB acima das expectativas, controle da inflação e redução do desemprego, o mercado expressa insatisfação com a condução da política fiscal do governo Lula (PT). O dólar, por exemplo, atingiu R$ 6,08 nesta semana, refletindo a apreensão diante de recentes anúncios, como o pacote de cortes de gastos e a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com rendimentos de até R$ 5 mil.

Perspectivas Econômicas e Divergências

Analistas divergem quanto ao impacto dessas medidas. A economista Carla Beni, da Fundação Getulio Vargas (FGV), enxerga um cenário macroeconômico favorável e defende que o país caminha para a redução da desigualdade social, com indicadores como a inflação controlada. No entanto, Beni critica o Banco Central por alinhar-se excessivamente às demandas do mercado, apontando que uma alta de 1 ponto percentual na Selic resultaria em um custo adicional de R$ 50 bilhões ao Tesouro Nacional.

Por outro lado, Diego Faust, sócio da Manchester Investimentos, destaca preocupações com o crescimento da dívida pública, que deve atingir 80% do PIB até o final do ano, e critica a falta de clareza na comunicação do governo em relação à política fiscal. Para Faust, o ajuste da Selic sinaliza a continuidade de uma gestão técnica do Banco Central, essencial para manter a confiança do mercado.

A decisão do Copom deve repercutir diretamente na política econômica e no já delicado equilíbrio entre o governo e os agentes financeiros, marcando um novo capítulo nas tensões entre as partes.

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