O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), indicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que pode deixar o cargo caso seja implementada uma taxa sobre exportações do agronegócio. A sinalização ocorre em meio às pressões de setores do Congresso para que o governo aumente a tributação sobre commodities como carne, soja, milho e etanol.
Crise e Pressão Política
A crise entre Fávaro e a bancada do agronegócio se intensificou após a suspensão das linhas de crédito do Plano Safra, uma medida adotada pelo Tesouro Nacional devido à falta de aprovação do Orçamento de 2024. A decisão gerou forte insatisfação na Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e na Confederação Nacional da Agricultura (CNA). O ministro, por sua vez, criticou a postura da FPA, alegando que a bancada se transformou em um grupo de oposição.
A tensão aumentou quando o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, assumiu as negociações para destravar os recursos. Haddad articulou junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) uma Medida Provisória liberando R$ 4,1 bilhões para a retomada das contratações do Plano Safra. A atitude foi elogiada pelo presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PP-PR), que criticou a falta de diálogo com o Ministério da Agricultura.
Possível Substituição?
Nos bastidores, especula-se que a permanência de Fávaro está ameaçada. O nome do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira, tem sido cogitado para o cargo, em meio às movimentações da reforma ministerial promovida por Lula.
No entanto, o PSD, partido de Fávaro, reforça que não aceitará perder o Ministério da Agricultura, visto como estratégico. O partido, liderado por Gilberto Kassab, também comanda o Ministério de Minas e Energia, com Alexandre Silveira, e o Ministério da Pesca, com André de Paula, mas considera que só os dois primeiros têm peso político relevante.
Por enquanto, o presidente Lula não sinalizou intenção de substituir Fávaro, mas a pressão dentro do Congresso e do setor agropecuário segue crescendo, tornando o futuro do ministro incerto.











