Entre 27 de janeiro de 2023 e 10 de janeiro de 2025, o governo brasileiro recebeu 3.660 brasileiros deportados dos Estados Unidos, em 32 voos fretados pelo governo norte-americano. Durante esse período, sob a presidência de Joe Biden nos EUA e Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil, o governo brasileiro não fez críticas ao processo de deportação, que incluiu o uso de algemas e acorrentamento dos pés, práticas comuns do Departamento de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE).
Apesar do número crescente de deportações durante o governo Biden, que superou os números registrados nos governos de Donald Trump e Barack Obama, o governo brasileiro manteve uma postura silenciosa e não questionou o uso de algemas nos deportados. Entre 2023 e 2025, 7.168 brasileiros foram deportados, com 32 operações realizadas, mas nenhuma delas gerou reações públicas da administração de Lula.
A postura do governo brasileiro, no entanto, mudou com a posse de Donald Trump em 2025. No primeiro voo de deportação sob sua administração, ocorrido em 25 de janeiro, que levou deportados ao Brasil, o governo Lula criticou abertamente o uso de algemas e a acorrentamento dos pés. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, determinou a retirada imediata das algemas e a condução dos deportados para Confins, em Minas Gerais, por meio de aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), classificando o uso de algemas como um “desrespeito aos direitos fundamentais”.
A discrepância nas reações à deportação levanta questões sobre a postura política do governo Lula e sugere um possível viés em relação à administração americana, com críticas direcionadas apenas ao governo republicano. Embora o procedimento de deportação, que inclui o uso de algemas e acorrentamento, tenha sido consistente sob Biden e Trump, a mudança de postura do Brasil diante do novo governo dos EUA foi marcada por uma crítica mais incisiva.











