Não são fáceis os tempos que atravessamos no Brasil. Econômica, social, moral e até democraticamente. Além disso, vemos guerras e rumores de guerras incessantemente, os efeitos do superaquecimento global, marcado principalmente pela poluição desenfreada de ar e água, e hostilidade das pessoas.
Os níveis de estresse, ansiedade e depressão talvez nunca tenham sido tão alarmantes em nosso país. Consultórios e farmácias lotados – e as consultas remotas, pela tela, se tornam cada vez mais comuns. Não é fraqueza admitir que a situação é extremamente complicada, que a solidão assola com força e crueza tantas vezes, que estamos lutando, a maioria de nós, mais para sobreviver que para viver.
Até mesmo casos de autismo aumentaram em 48% seus diagnósticos: apenas diagnosticados, ou exacerbados pelo uso excessivo de telas e pelo meio ambiente? Seja como for, o Brasil é o país com mais casos de ansiedade patológica do mundo, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS). Daí crescem os vícios e a criminalidade, ao lado da impunidade.
Mas não podemos parar. A vida nos pede isso. Precisamos trabalhar, estudar, cuidar dos filhos, da família, de nós mesmos, da saúde física e mental, dos compromissos mil. Ficar parado até parece pecado na Era Digital, quando não ofensa. Falando nisso, menciono a explosão dos casos de TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, que exige tratamento psiquiátrico e psicológico.
E há o burnout, que atinge cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros, em sua maioria mal-pagos e explorados, em plena crise econômica alarmante no país. Casos graves não podem ser revertidos, e o trabalhador fica incapacitado para sempre de voltar às suas tarefas. Cuide-se!
Precisamos ficar atentos às demandas de nosso corpo e mente. Tirar um tempo para nós mesmos todo dia para relaxar, descansar, não fazer nada, um hobby que os outros podem até achar bobo mas que nos faz feliz. Praticar exercícios físicos regulares – no começo é difícil, com o tempo se torna necessário e terapêutico. Se precisar tirar uma folga de tudo, faça antes que seja tarde.
E que tal passar um tempo ajudando os necessitados, pessoas e animais abandonados? Adotar, não comprar um bichinho de estimação – ah, dá trabalho, mas faz bem para o coração, física e metaforicamente. Para a alma. Quem vive sozinho ou com doenças crônicas pode ter altos benefícios, bem como ansiedade e depressão.
Mas não nos cobremos tanto. A gente sabe que, sim, as pessoas cobram, a sociedade cobra, sempre foi assim. Precisamos adquirir resiliência, a capacidade de se adapatar e “aguentar o tranco”, sem, com isso, negar nossas necessidades físicas e mentais. Nada pode roubar nossa paz, no que depender de nós.
Bom, é verdade que precisamos ser fortes e suportar. Mas, ao mesmo tempo, precisamos assumir as mudanças necessárias em nossa vida, como a possibilidade de descansar mais, relaxar mais, viver mais de fato. Como disse Caio F. Abreu, a vida sempre nos dá uma certeza: ela continua. De um jeito ou de outro, ela segue. Não podemos parar à margem de nós mesmos, e, para isso, devemos cuidar de nossa saúde física e mental – são inseparáveis.
Invista em você! Aposte na utilização de seu tempo para produzir, mas também para se cuidar, se desligar do mundo e do estresse. Deixe que falem mal, pessoas hiperativas, impacientes e intolerantes, à moda da nossa época, sempre carregam suas próprias consequências, mais cedo ou mais tarde. Não podemos viver só para trabalhar ou estudar, ou só para os outros enquanto nos negligenciamos.
No fim das contas, só temos a nós mesmos, não importa quais sejam nossas crenças, nosso deus, quem estiver à nossa volta. As escolhas são nossas. Escolha a si mesmo em primeiro lugar, ou não terá como ajudar aos demais.
Sejamos protagonistas, e não coadjuvantes da vida que desejamos alcançar e da paz que tanto procuramos: ter um mínimo de paz exige esforço e disciplina, e se permitir um pouco mais.












