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sexta-feira, maio 29, 2026
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Empresa de home care no RS é suspeita de falsificação para receber por serviços não prestados

Uma investigação revelou um esquema de falsificação de documentos médicos envolvendo uma das principais empresas de home care da região metropolitana de Porto Alegre, que teria fraudado o sistema para receber pagamentos do Estado e do município por serviços médicos domiciliares nunca prestados. O esquema inclui a adulteração de laudos, assinaturas e carimbos para justificar decisões judiciais que obrigam o poder público a custear o atendimento domiciliar.

A denúncia veio de uma ex-funcionária da Support Sul, que trabalhou na empresa por um ano. Ela relatou que funcionários eram pressionados a falsificar relatórios e rubricas em nome de médicos e enfermeiros que nunca atenderam os pacientes. A ex-funcionária entregou à reportagem um pen drive com 40 GB de documentos, incluindo 50 carimbos e registros de atendimentos que nunca ocorreram.

Entre os casos investigados está o de Thainá Schuller, técnica de enfermagem de Sapucaia do Sul, cujo nome e carimbo foram usados em laudos que indicavam atendimento a uma paciente de Guaíba, embora Thainá tenha afirmado nunca ter trabalhado para a empresa.

A investigação aponta que o esquema envolve também médicos, advogados e familiares de pacientes. Liminares obtidas por meio de decisões judiciais obrigam o Estado a custear os serviços de home care, com valores repassados a empresas como a Renovar, com sede em Santo Ângelo. A fraude envolve orçamentos superfaturados, laudos falsificados e até a participação de familiares dos pacientes, que lucrariam com o esquema.

A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) revelou que, em 2024, houve um aumento significativo nas decisões judiciais favoráveis, com bloqueios nas contas do Estado saltando de 19 para 39 milhões de reais entre 2023 e 2024. A investigação aponta que, em muitos casos, os serviços pagos pelo governo nunca foram prestados.

A dona da empresa, Claudia Fonseca, foi gravada em conversa com a reportagem, confirmando que empresas se ajudam a fornecer orçamentos falsificados para garantir que a Renovar seja escolhida para o fornecimento dos serviços.

O Ministério Público está investigando os envolvidos no esquema, que pode implicar em desvio de recursos públicos e superfaturamento de serviços. O promotor Diego Pessi do Gaeco afirmou que há indícios de que os valores destinados ao tratamento não estavam sendo usados corretamente.

A defesa de Lucimara Aparecida Nicolai, mãe de uma paciente envolvida, afirmou que ela está à disposição da justiça para esclarecer os fatos e colaborar com a investigação. O processo segue em segredo de Justiça.

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