Os brasileiros encerraram agosto mais endividados e inadimplentes, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), 30,4% das famílias estavam com contas em atraso, ante 30,0% em julho – o maior nível da série histórica iniciada em 2010.
Em agosto de 2024, esse percentual era de 28,8%. Na comparação anual, a inadimplência subiu 1,6 ponto percentual, refletindo um cenário de juros elevados e crédito mais caro.
Endividamento geral
Ainda segundo a CNC, 78,8% das famílias brasileiras estavam endividadas em agosto, ligeiramente acima de julho (78,5%) e do patamar registrado um ano antes (78,1%). A maioria das dívidas segue concentrada no cartão de crédito (87,6%), seguido por carnês, crédito pessoal e financiamento de veículos.
Contexto econômico
Economistas atribuem esse quadro ao efeito da desaceleração no mercado de trabalho, à inflação ainda pressionando preços de alimentos e serviços e ao endurecimento nas concessões de crédito por parte dos bancos. Apesar da queda gradual da taxa Selic desde 2023, o custo do crédito ao consumidor continua elevado, o que dificulta renegociações e amplia atrasos.
Perspectiva
Para os próximos meses, a CNC avalia que os programas de renegociação de dívidas — como o Desenrola Brasil, que entrou em nova fase em setembro — podem ajudar a reduzir a inadimplência entre as famílias de renda mais baixa. No entanto, analistas alertam que sem melhora consistente na renda e no emprego, o endividamento tende a se manter elevado.











