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Fecomércio-RS revela que 68% das lojas de moda no estado foram afetadas pelas enchentes e recuperação segue lenta

Um ano após as fortes enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024, o setor de varejo de moda ainda sente os efeitos da tragédia. Segundo a Sondagem do Segmento de Varejo de Moda divulgada pela Fecomércio-RS nesta quarta-feira (30), 68,3% das empresas do ramo foram impactadas direta ou indiretamente pelas enchentes, e mais da metade delas — 54% — ainda não conseguiram se recuperar totalmente.

A pesquisa, realizada entre 23 de maio e 4 de junho de 2025, ouviu 385 estabelecimentos de diversos portes que operam no estado, todos optantes do Simples Nacional. Os dados mostram que os principais efeitos enfrentados pelas lojas são queda no faturamento (68,6%), perda de clientes (51,1%) e dificuldades financeiras (33,5%).

O desempenho das vendas nos últimos seis meses refletiu esse cenário, com 57,2% das empresas avaliando seus resultados como regulares ou ruins, e 55,6% declarando que as vendas ficaram abaixo do esperado. Entre os desafios internos mais citados estão a gestão de pessoas (34,3%) e a fidelização do cliente (30,6%). No campo externo, a carga tributária elevada (57,4%) e a concorrência com comércio eletrônico estrangeiro (31,4%) aparecem como principais obstáculos.

Apesar da adversidade, o setor tem avançado na adoção de ferramentas de gestão. Quase 90% das empresas já utilizam controle informatizado de vendas e estoques, e mais de 80% monitoram frequentemente o desempenho de seus produtos. A precificação é, na maioria dos casos, baseada em margens fixas sobre custo ou categorias de produtos, e o lançamento de novidades atende principalmente à demanda dos clientes e tendências do mercado.

O presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, destacou que, mesmo diante de um ambiente econômico instável, o segmento dá sinais de otimismo: “Há avanços na gestão e na intenção de investir, o que reforça a expectativa de retomada, apesar das dificuldades financeiras ainda presentes”.

No campo financeiro, a pesquisa apontou que 39,2% das empresas têm dificuldades para honrar compromissos ou enfrentam risco de insolvência. Além disso, 16,4% misturam finanças pessoais e empresariais, o que dificulta o controle e a tomada de decisões. Apesar disso, a maioria busca manter a adimplência, com apenas 2,3% em atraso nos pagamentos de empréstimos.

Para os próximos meses, 59% das empresas esperam melhora nas vendas, e 22,6% planejam contratar funcionários, enquanto 28,1% têm intenção de investir.

O levantamento também revelou que o segmento é composto majoritariamente por empresas tradicionais: 63,9% atuam há mais de 10 anos, e mais da metade emprega até três pessoas. O vestuário feminino é o principal segmento de atuação (58,4%), seguido por vestuário masculino, calçados, infantil e acessórios.

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