A Polícia Civil de Passo Fundo (RS) vai indiciar um homem pelos crimes de explosão culposa e homicídio culposo no caso do incêndio que matou dois jovens em 2 de agosto deste ano. O inquérito deve ser remetido ao Judiciário nos próximos dias, segundo informou a delegada Carolina Goulart, titular da 2ª Delegacia de Polícia do município.

O incêndio atingiu um apartamento no centro da cidade e vitimou José Rudel D’Avila Pinto, 24 anos, e Alice Visentin, 18 anos, ambos de Vacaria. O casal estava em Passo Fundo para organizar a mudança de Alice, que ingressaria no curso de Medicina Veterinária em agosto.

O que diz a investigação

  • O suspeito, contratado pelos proprietários do apartamento para instalar o fogão, admitiu não ter formação técnica para realizar o serviço.

  • Uma mangueira de gás apresentou problema e provocou a explosão, segundo laudo preliminar.

  • O instalador será enquadrado nos artigos 251 e 258 do Código Penal, que tratam de explosão culposa e homicídio culposo.

“Foi uma explosão fatal ocasionada por uma má instalação do fogão que deu vazamento de gás”, afirmou a delegada Carolina Goulart.

Laudos complementares

A polícia aguarda dois laudos adicionais:

  1. Para confirmar se o caso será classificado juridicamente como crime de explosão ou incêndio;

  2. Relatório final da necropsia de Alice Visentin.

A delegada ressalta que os resultados não alteram a conclusão do inquérito — de que houve negligência no manuseio do gás.

Penas e alerta à população

O crime de explosão culposa tem pena prevista de três meses a um ano de detenção; quando há mortes, o enquadramento é em homicídio culposo, com pena de um a três anos.

Carolina Goulart reforçou a importância de contratar profissionais capacitados para instalações domésticas:

“Esse manuseio tem que ser feito por pessoas técnicas, com formação para isso. Que esse caso sirva de alerta para que se tome mais cuidado na hora de fazer essas instalações.”

Contexto

Casos de acidentes com gás encanado ou botijões têm levado entidades de segurança a reforçar campanhas sobre prevenção de vazamentos e contratação de instaladores credenciados. Segundo o Corpo de Bombeiros do RS, problemas em conexões de gás estão entre as principais causas de explosões domésticas no estado.