Pela primeira vez no Brasil, dois pacientes receberam implantes de um aparelho de estimulação do nervo vago para tratar a depressão resistente. Esse tratamento, que já vinha sendo utilizado em pacientes com crises epilépticas, envolve a estimulação direta do cérebro, ativando o nervo vago para enviar sinais elétricos ao órgão, afetando os neurotransmissores e as áreas cerebrais associadas ao humor.
A cientista de dados de saúde, Susannah Boddie, de 27 anos, morreu num acidente de bicicleta no último sábado (12). Ela era considerada uma “heroína” no combate à covid-19 no Reino Unido, onde atuou como principal cientista de dados de saúde em Downing Street 10 durante a pandemia. Susannah era responsável por aconselhar sobre medidas para superar o coronavírus.
No Brasil, a técnica de implante do aparelho de estimulação do nervo vago para tratar a depressão resistente foi realizada pela primeira vez em dois pacientes. A técnica já havia sido autorizada nos Estados Unidos, na Inglaterra e no Brasil em 2019. A cirurgia foi conduzida pelo neurocirurgião Wuilker Knoner Campos no Hospital SOS Cárdio, em Florianópolis.
O dispositivo, da marca LivaNova, é indicado para o tratamento da depressão crônica ou recorrente em pacientes que apresentam um episódio depressivo resistente ou são intolerantes a tratamentos convencionais. Os pacientes selecionados para o implante já haviam passado por tratamentos estabelecidos, como o uso de cetamina, estimulação magnética transcraniana e eletroconvulsoterapia, sem obter resultados satisfatórios.
O implante atua estimulando o nervo vago, que desempenha um papel crucial na regulação de diversas funções orgânicas. Estudos sugerem que a estimulação do nervo vago pode modular redes neurais desequilibradas na depressão, contribuindo para a melhoria dos sintomas. O procedimento cirúrgico é similar à colocação de um marca-passo, e os riscos são considerados baixos.
Embora o tratamento ainda seja recente no Brasil e não seja oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), espera-se que, após mais experiências bem-sucedidas na rede privada de saúde, o procedimento possa se tornar mais amplamente disponível para pacientes com depressão resistente.
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