A unidade da multinacional John Deere em Horizontina, no noroeste gaúcho, dispensou 150 funcionários nesta quarta-feira (17/09) dos setores de produção de colheitadeiras — áreas de solda, pintura, montagem, estamparia e almoxarifado foram impactadas. A decisão foi justificada pela empresa como uma “readequação no quadro de funcionários”, com o objetivo de alinhar o volume de produção à demanda atual do mercado.
Contexto e negociação
Inicialmente, a John Deere cogitava demitir cerca de 200 trabalhadores, mas após negociações com o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Horizontina e Região, o número foi reduzido para 150.
A empresa afirmou que a medida foi necessária pela queda na demanda de máquinas agrícolas.
O sindicato garantiu que os desligados receberão todas as verbas rescisórias previstas legalmente e um abono de gratificação como compensação adicional.
O que aponta a repercussão local e setorial
Impacto no município
Horizontina, com cerca de 18.800 habitantes, tem sua economia profundamente ligada à John Deere — a unidade da fabricante de máquinas agrícolas responde por uma parte significativa da geração de empregos e da arrecadação.
Com o corte de 150 postos, há expectativa de efeitos em cadeia: fornecedores de peças, comércio local, serviços e demais empresas que dependem da atividade industrial devem sentir consequências.
Indicativos de retração no setor
No início de 2025, a fábrica havia contratado cerca de 200 pessoas para atender expectativas de aumento de produção. A meta era subir a produção de 12 para 14 colheitadeiras por dia, mas houve recuo para 10 unidades por dia.
A exportação de máquinas agrícolas da região, especialmente de Horizontina, também apresenta queda, pressionada por custos elevados, concorrência internacional e recuo de demanda.
Comparativo com outros movimentos
Em janeiro de 2025, a empresa AGCO, também atuante no setor de máquinas agrícolas no Rio Grande do Sul (em Santa Rosa), demitiu 51 funcionários em ajuste motivado pela diminuição da demanda.
A planta de Horizontina já havia passado por revisões antes: em 2024, foram executadas demissões e também férias coletivas, ajustes de turnos e produção, consequência da oscilação do mercado.
Desafios para o futuro
Se a demanda continuar fraca, a empresa pode continuar ajustando sua produção, o que pode implicar em novas reduções de quadro.
Para os trabalhadores desligados, além do auxílio fiscal e legal, será importante observar se haverá oportunidades de recolocação local — embora o sindicato manifeste disposição para apoiar nesse sentido.
Do ponto de vista macroeconômico, esse episódio reforça sinais de desaceleração no agronegócio brasileiro, especialmente em máquinas e implementos agrícolas — um setor muito dependente de investimento privado, crédito, exportações e custos de insumos.
Palavras da empresa e do sindicato
John Deere afirmou que a readequação do quadro é necessária para ajustar o volume de produção à demanda que o mercado apresenta atualmente.
O Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Horizontina e Região lamentou as demissões, destacou a surpresa diante de contratações recentes, e reforçou que vai assegurar o abono de gratificação além das verbas rescisórias.











