Em resposta à crescente desaprovação registrada em pesquisas de opinião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quinta-feira (3) a antecipação do pagamento do 13º salário para aposentados e pensionistas do INSS. A medida foi oficializada durante o evento “O Brasil dando a Volta por Cima”, realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, e faz parte de um pacote de ações voltadas a reverter a perda de apoio popular.
Além disso, Lula também anunciou a ampliação do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, que agora passa a incluir famílias com renda mensal de até R$ 12 mil, atingindo a classe média — público considerado mais resistente ao governo petista.
Crise de popularidade e rejeição em alta
O anúncio ocorre em meio a um momento delicado para o governo federal. Segundo a mais recente pesquisa Quaest, divulgada na quarta-feira (2), 56% dos brasileiros desaprovam a gestão Lula, o maior índice desde o início do atual mandato. Outro levantamento, publicado nesta quinta-feira (3), aponta que 62% da população rejeita a ideia de reeleição do presidente em 2026, um salto em relação aos 52% registrados em dezembro de 2024.
A queda de popularidade tem pressionado o Planalto a adotar medidas de impacto social e potencial eleitoral, visando reconquistar a confiança do eleitorado.
Detalhes da antecipação do 13º do INSS
O governo definiu que o 13º dos aposentados e pensionistas do INSS será pago em duas parcelas:
1ª parcela: entre 24 de abril e 8 de maio
2ª parcela: entre 26 de maio e 6 de junho
A antecipação ocorre pela sexta vez consecutiva, mas desta vez foi alvo de divergência interna. A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, havia declarado, um dia antes, que a medida era “inviável” em abril, sugerindo que o pagamento se daria entre maio e junho, como nos anos anteriores. No entanto, a decisão foi confirmada, reforçando o caráter emergencial da ação.
Minha Casa, Minha Vida: novo foco na classe média
Outra aposta do governo para alavancar a popularidade é a expansão do Minha Casa, Minha Vida. O programa, que antes era voltado apenas a famílias de baixa renda, agora inclui beneficiários com renda de até R$ 12 mil mensais. A mudança amplia consideravelmente o público-alvo e representa uma tentativa de atrair setores da classe média, tradicionalmente mais críticos ao atual governo.
Com a reformulação, o governo espera impulsionar a economia com o setor da construção civil e, ao mesmo tempo, garantir um reforço no apoio de uma faixa da população mais distante do lulismo em eleições recentes.
Reação política e cenário eleitoral
A ofensiva do Planalto em medidas sociais ocorre em meio à reorganização das forças políticas para 2026. O presidente Lula já sinalizou a intenção de disputar a reeleição, apesar da crescente resistência popular e das articulações da oposição — especialmente lideradas por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que segue influente no cenário político mesmo inelegível.
Enquanto isso, os desdobramentos das medidas econômicas e sociais anunciadas devem servir como termômetro para avaliar a capacidade de reação do governo frente à crise de imagem.











