Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirma que não há nada de “anormal” na Venezuela após a “vitória” de Nicolás Maduro, o ditador aliado, ele desconsidera a luta dos venezuelanos contra o regime e minimiza a fraude eleitoral. Essa é a visão expressa pelos jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo em seus editoriais de quinta-feira, 1º de agosto.
O Estadão critica a atitude de Lula, considerando-a uma desonra para o Brasil e para os brasileiros que valorizam a democracia e os direitos humanos, independentemente de suas inclinações políticas ou ideológicas. O jornal descreve a postura do presidente como “um cinismo incomum, até mesmo para os padrões lulopetistas”, e critica sua visão da eleição na Venezuela como um pleito justo, onde os que discordam do resultado podem buscar a Justiça, e o governo deve ter a oportunidade de provar sua legitimidade.
O Estadão também menciona que a “falsa isonomia” de Lula demonstra uma crueldade repulsiva com aqueles que enfrentam o regime chavista, pois o petista sabe que na Venezuela a “Justiça” é controlada por Nicolás Maduro.
Enquanto isso, o Centro Carter, a única instituição independente que conseguiu atuar como observadora das eleições, concluiu que o pleito na Venezuela “não atendeu aos padrões internacionais de integridade eleitoral em nenhum de seus estágios e violou várias disposições da própria legislação nacional”, motivo pelo qual não pode ser considerado democrático.
Além disso, Maduro usou forças estatais e milícias para reprimir os opositores. Em apenas 72 horas após a “diplomação” de Maduro, já foram registradas dezenas de mortes de opositores, além de centenas de sequestros e detenções arbitrárias.
Para Lula, no entanto, esses eventos não são considerados “graves” ou “anormais”. O Estadão destaca a discrepância na visão de Lula, comparando-a com a sua reação ao processo de impeachment de Dilma Rousseff no Brasil, que ele classificou como um “golpe”.
A Folha de S.Paulo considera a resposta de Lula ao resultado das eleições como “cinismo vil e cúmplice”, comparando-a ao seu comentário controverso sobre o conflito na Ucrânia no ano passado, onde ele equiparou a Rússia invasora e a nação invadida.
Lula também ajustou sua retórica em uma conversa telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Segundo a Casa Branca, Lula concordou com a necessidade de divulgação completa e imediata dos dados sobre a votação na Venezuela.
A posição inicial do Itamaraty era apoiar essa divulgação, conforme relatado pela Folha. No entanto, o comportamento desonesto de Maduro e a falta de coragem do presidente brasileiro parecem trazer mais vergonha para o Brasil.
O Estadão conclui que, enquanto Lula pode se ver como um grande estadista ao olhar no espelho, na realidade, ele é apenas um peão em um rearranjo geopolítico centrado nas disputas entre os Estados Unidos e a China.











