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sexta-feira, julho 17, 2026
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Ministros do STF participaram de 22 agendas internacionais, aponta levantamento

Eventos subsidiados por entidades privadas levantam questões sobre possíveis conflitos de interesses, enquanto STF defende participação como compartilhamento de conhecimento.

Um levantamento realizado pelo jornal O Estado de São Paulo revelou que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estiveram presentes em pelo menos 22 agendas internacionais entre junho de 2023 e maio deste ano. Grande parte desses compromissos foi organizada por entidades privadas, algumas das quais têm processos em trâmite na Corte. Apesar disso, o STF nega a existência de conflito de interesses.

Os eventos incluem fóruns, seminários acadêmicos e visitas institucionais, principalmente na Europa. Nesses 22 encontros identificados, nove foram financiados por instituições privadas.

Por exemplo, o Fórum Jurídico: Brasil de Ideias, realizado em Londres, na Inglaterra, no último mês, teve como patrocinadora a British American Tobacco (BAT) Brasil, empresa envolvida em dois processos no STF e interessada em uma ação sob relatoria do ministro Dias Toffoli, que participou do fórum.

O Banco Master, com processo no STF sob relatoria de Gilmar Mendes, também esteve envolvido no evento, financiando a participação do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair em um painel.

Outros eventos citados incluem o Fórum Esfera Internacional, na França, e o Brazil Economic Forum, do Lide, na Suíça, subsidiados por entidades privadas. Em 2023, contaram com a presença de Gilmar Mendes e Luiz Roberto Barroso no caso do Esfera, e apenas Barroso no caso do Lide.

Luiz Roberto Barroso, presidente do STF, é o ministro com mais viagens internacionais, tendo participado de 16 dos 22 eventos mapeados pelo Estadão.

Em nota, o STF afirmou que os ministros conversam com diversos setores da sociedade e que a participação em eventos não deve ser vista como um favor. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) permite que ministros, juízes e desembargadores participem de encontros feitos por instituições privadas desde 2013, com financiamento de transporte e hospedagem, e em 2021, removeu a obrigatoriedade de informar os tribunais sobre essas participações.

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