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sexta-feira, julho 17, 2026
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MST arma acampamento em Hulha Negra e eleva a tensão no campo

Movimento quer reunir 500 famílias para exigir desapropriações de terras improdutivas    |     Com informações - GZH

No município de Hulha Negra, na Região da Campanha, uma cena que remete ao auge das tensões no campo nas viradas dos anos 2000 voltou a se desenrolar. Acampados sob tendas negras às margens da rodovia, membros do MST demandam por reforma agrária, enquanto nas proximidades, ruralistas, munidos de binóculos e postados em suas caminhonetes, mantêm vigilância constante. Entre esses dois grupos, o Batalhão de Choque da Brigada Militar (BM) assegura a segurança da região.

Embora possa parecer um cenário do passado, esses acontecimentos estão ocorrendo atualmente, marcando o retorno do MST a Hulha Negra, onde não havia acampamentos do movimento nos últimos 20 anos. Esse município, conhecido por abrigar 58 assentamentos, viu um novo acampamento se estabelecer com a chegada de 30 sem-terra na última quinta-feira. Eles ocuparam uma área às margens da BR-293, gentilmente cedida por um produtor local. O propósito do grupo é atrair até 500 famílias nos próximos dias, com o objetivo de pressionar o governo federal a realizar desapropriações na região.

Em discussões informais, os acampados manifestaram interesse em áreas extensas, que atualmente não são produtivas e sofrem com dívidas, como uma fazenda de 6 mil hectares em Pedras Altas. Segundo o setor de inteligência da BM, há a possibilidade de invasão de uma área de 500 hectares pertencente ao governo do Estado, em Hulha Negra, onde antes funcionava uma unidade da Fepagro. No entanto, Ildo Pereira, dirigente estadual do MST, afirma que, por enquanto, não há planos de ocupação.

Pereira disse: “Abrimos o acampamento para retomar o processo de luta pela terra. Primeiro, vamos nos organizar aqui, não é o momento ainda de discutir ocupações.”

Diante da movimentação, os ruralistas estabeleceram um posto de observação a cerca de um quilômetro do acampamento, localizado no trevo de acesso a Hulha Negra. A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) irá se reunir em Bagé nesta segunda-feira para coordenar o revezamento dos sindicatos rurais na vigilância, pois a maioria dos produtores está envolvida no plantio de arroz e soja. Para prevenir possíveis confrontos ou provocativos, a BM enviou 20 oficiais do Batalhão de Choque de Uruguaiana.

Os sem-terra aguardavam uma visita do ministro da Comunicação Social, Paulo Pimenta, que estava cumprindo uma agenda em Candiota no sábado. No entanto, Pimenta não compareceu ao local nem recebeu os líderes do movimento. O Partido dos Trabalhadores (PT) está preocupado com possíveis danos eleitorais e comunicou ao MST que esse não é o momento adequado para estabelecer o acampamento.

Um dos acampados desdenhou da situação, afirmando: “Toda hora é hora errada.”

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