Muitas coisas têm sido ditas sobre o Papa Leão XIV, previamente apenas Robert Prevost. Cardeal pouco conhecido que veio a tornar, no dia 8 de maio de 2025, o primeiro papa norte-americano e o primeiro nascido em país de maioria protestante – na verdade, fundado por eles, ingleses, irlandeses e franceses.
Ao chegar, chancelado pela branca fumaça medieval como Leão XIV, vem suceder o papa mais longevo e poderoso da História, Leão XIII. O novo papa parece já dizer a que veio pela insígnia que escolheu: governar com mão-de-ferro, como outros “leões” na história do Vaticano, e como sobretudo Leão XIII.
Desejará obter mais poder e domínio para a Igreja Católica, que vem perdendo fiéis e vê muitos desafios a enfrentar. É extremamente tradicional em sua estrutura, mas não isenta de se adaptar aos novos tempos.
Questiono-me o quanto de um empreendedor americano terá Robert Prevost como Papa Leão XIV, em suas veias sacras, mas ainda humanas.
Apesar da cidadania peruana e da fé sincera, de todo o caminho até chegar à máxima autoridade católica, e em tenra idade de 69 anos, é ente político e religioso em si mesmo porque é humano, ainda humano, e seres humanos são seres políticos.
A influência política do papado em pleno século XXI não é pouca: mobiliza grandes chefes-de-Estado e toma conta da mídia e das especulações globais, além dos ainda vultosos e devotados religiosos sob o cetro da doutrina católica, forjada em Roma por um implacável imperador romano.
O FUTURO DO PAPA DO PAÍS DE TRUMP: “THE KING IS ONE OF US!”
É verdade que não sabemos o futuro desenhado do Papa Leão XIV. Até porque a situação é inédita: um papa dos EUA, e como a mídia americana e o próprio Trump parecem enlevados!
O NY Times no dia 8 era quase que apenas Leão XIV, o vídeo da apresentação na praça de São Pedro se repetindo no maior periódico do planeta. Trump foi dos primeiros a saudar o “leonino” (feroz?) Santo Padre, “ansioso por encontrá-lo”. Já teve dissidências com o republicano sobre deportados, por exemplo. Mas o novo papa é conhecido por ser discreto e comedido, é o que dizem..
Para resumir: triunfaram a política e ao mesmo tempo a surpresa no conclave de Leão XIV. Já avisavam que seria a votação católica mais global (e influente) da História. Qual o país mais influente e global do mundo hoje? Sério, nós sabemos. Seus eletrônicos, suas roupas, a tecnologia de ponta e a Internet poderão lhe dizer.
Fato é que não veio um papa asiático, africano, quem sabe até de origem judaica, mas um papa do país de Trump, pela segunda vez no governo e mais fortalecido. Apesar das guerras tarifárias – é tudo jogo de poder dos grandes patriotas e magnatas.
Leão XIV não é Francisco I, que ousou ao adotar o humilde nome do pai dos pobres, um “socialista na prática” que foi São Francisco de Assis. Viveu na simplicidade, doou toda a sua herança, buscou diálogo. É claro que o cardeal Robert era amigo do ítalo-argentino, mas o que acontece antes de um conclave e depois de um… literalmente só Deus sabe! Ou não?
A Igreja Católica teve o mundo em suas mãos por mais de 1000 anos e, mesmo tendo perdido muito de sua relevância desde o Renascimento e com o golpe quase fatal do Iluminismo, ainda é um castelo forte. O Vaticano, com seus 800 residentes, é um Estado, mas muito mais que isso: seu novo “rei” foi revelado a bilhões e bilhões de pessoas como um líder mundial divinamente escolhido.
Divinamente escolhido, com algumas movimentações geopolíticas e ideológicas, é claro…
Enfim, penso que Leão décimo-quarto não veio São Francisco II. Imagino eu que, ou optará por um governo comunitário e humanizado, reformador – mas certamente não ao nível de quem se chama como o santo desapegado de poder e bens italiano; ou será mais pragmático, talvez até conservador, visando a recuperar o poder do decadente catolicismo – em números – na terra. E nos Estados Unidos. País que nunca foi de fato absolutista.
Mas há ainda a possibilidade de o papa Leão XIV surpreender, como faria um bom norte-americano empreendedor visando a liberdades individuais e conquistas improváveis. Domínio. Assertividade. Inovação.
Os EUA sempre inovam, mas nunca distantes do capitalismo e da liberdade. Trump obviamente tentará fazer os EUA adquirirem vantagens com o papado de seu nativo, um possível conservadorismo mútuo. Estão orgulhosos, pelo que vi. “O papa é nosso!”
Mas muitas serão as seduções do mais recente Leão, do agora representante católico de Deus na terra. Precisará de sabedoria, fé… e de muito jogo político. Talvez possa evitar uma III Guerra Mundial. Ou provocá-la? Conheceremos em breve o Papa Leão XIV.












