A forte estiagem e as ondas de calor registradas no verão 2024/2025 impactaram diretamente a produção leiteira no Rio Grande do Sul, provocando queda na produtividade, problemas reprodutivos nas vacas e aumento de doenças no rebanho.
O levantamento foi divulgado pela Secretaria da Agricultura (Seapi) no Comunicado Agrometeorológico 83 – Especial BioMet. O estudo destaca que o estresse térmico, a escassez de pasto e a má qualidade da água agravaram o cenário, elevando os custos de manejo para os produtores.
Principais impactos no setor leiteiro
✅ Queda na produção de leite diária: perdas estimadas entre 5 a 40 kg por vaca.
✅ Aumento da mastite e outras doenças relacionadas ao calor.
✅ Baixo desempenho reprodutivo do rebanho.
✅ Alta nos custos de manejo, com maior necessidade de medidas para minimizar os efeitos climáticos.
Condições meteorológicas desfavoráveis
A agrometeorologista Ivonete Tazzo, uma das autoras do estudo, explicou que a pesquisa analisou temperatura, umidade do ar e chuvas no período entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025. Os dados revelaram que apenas 42,6% das horas em janeiro e 28,3% em fevereiro foram de conforto térmico para os animais.
Além disso, em fevereiro, temperaturas acima de 35°C combinadas com chuvas irregulares impactaram principalmente as regiões Central, Campanha e Noroeste, onde se concentra a maior parte da produção leiteira do estado.
A veterinária Adriana Tarouco, coautora do estudo, destacou que todas as regiões apresentaram potencial para estresse calórico, incluindo áreas como a Serra do Nordeste, que tradicionalmente não enfrenta esse problema.
Prejuízos e estratégias para mitigar os impactos
Os produtores precisaram adotar estratégias de manejo, como maior sombreamento, ventilação e ajustes na alimentação para reduzir o estresse térmico dos animais. Ainda assim, as perdas foram significativas, com um declínio na produção diária de leite entre 24,5% e 28%.
A publicação faz parte do Grupo de Estudos em Biometeorologia, composto por pesquisadores das áreas de Agrometeorologia e Produção Animal. O Comunicado Agrometeorológico Especial – Biometeorológico tem periodicidade trimestral e pode ser acessado na seção de Agrometeorologia da Seapi.











