O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, na quinta-feira (4/9), a Operação Shutdown, para desarticular um esquema de jogo do bicho com ramificações em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

A ofensiva cumpriu 13 mandados de prisão preventiva e 34 de busca e apreensão, além de sequestro de móveis e imóveis e bloqueio de contas bancárias. Até as primeiras horas da manhã, haviam sido apreendidos US$ 400 mil em espécie, cheques e veículos de luxo importados.

As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Regional de Garantias da Comarca de Rio do Sul (SC), com apoio da Polícia Militar. No Rio Grande do Sul, as ações ocorreram em Guaíba e Três Passos.

Como funcionava o esquema

De acordo com o Ministério Público, os investigados mantinham um esquema sofisticado para lavagem de dinheiro proveniente da exploração de jogos de azar, especialmente o jogo do bicho.

  • Uso de “laranjas”: pessoas eram aliciadas para registrar bens e contas em seus nomes, ocultando os verdadeiros beneficiários.

  • Empresas de fachada: firmas abertas em diferentes ramos — sem atividade comercial real — eram utilizadas para movimentar recursos.

  • Movimentações incompatíveis: transações bancárias de grande volume eram registradas em nome de empresas e pessoas sem renda compatível.

  • Terceira fase da lavagem: segundo o Gaeco, os valores ilegais eram incorporados à economia formal, dando aparência de legalidade ao dinheiro obtido com a contravenção penal.

O grupo, segundo o MP, operava de forma reiterada e altamente articulada, valendo-se de mecanismos complexos para ocultar e dissimular a origem ilícita dos recursos.

Nome da operação

O termo “Shutdown” foi escolhido em referência à área de tecnologia e segurança da informação, significando o encerramento total de sistemas ou operações. Segundo o Gaeco, o nome reflete o objetivo central da ação: interromper definitivamente as atividades da organização criminosa.

Contexto

Embora a exploração do jogo do bicho seja enquadrada como contravenção penal no Brasil, o Ministério Público alerta que essa prática se tornou a porta de entrada para esquemas maiores de lavagem de dinheiro, servindo de base para a movimentação de valores milionários em diferentes estados.