O “jogo do tigrinho”, nome popular do game Fortune Tiger, produzido pela empresa maltesa PG Soft, tornou-se um fenômeno no Brasil nos últimos anos e, desde então, nunca mais saiu dos holofotes. É o jogo mais jogado na KTO, segundo dados divulgados pelo site de apostas esportivas e jogos de cassino online, ocupando o primeiro lugar dentre os slots mais jogados, com 50.17% de popularidade e 14.05% das rodadas diárias do site.
Apesar de sua popularidade, o jogo tem sido alvo de diversas polêmicas, incluindo acusações de golpes financeiros e práticas de marketing fraudulentas. A PG Soft, desenvolvedora responsável pelo jogo e sediada em Malta, é amplamente reconhecida por criar diversos jogos eletrônicos para cassinos, incluindo todos os títulos da série Fortune, como Fortune Ox, Fortune Rabbit e Fortune Dragon.
Embora a empresa seja registrada em um país que se destaca pela regulamentação favorável às apostas online, ela também enfrenta suspeitas relacionadas à utilização de seus produtos por golpistas. Como apontado por Priscila Ferreira em entrevista, a PG Soft parece não ter antecipado o impacto e a extensão que seus jogos alcançariam no Brasil e os desafios que eles enfrentariam no país pela falta de regulamentação na época em que o jogo viralizou nas mídias sociais.
Segundo a empresa, que possui certificações internacionais de empresas como a Gaming Associates Europe, seus jogos são regulamentados e aleatórios. No entanto, a insatisfação entre os usuários brasileiros, principalmente devido a golpes envolvendo possíveis versões falsificadas do jogo, levanta questionamentos sobre o controle da empresa sobre sua própria criação.
O ‘jogo do tigrinho’ foi aparentemente utilizado em esquemas de fraude financeira. Influenciadores digitais, aliciados por promotores estrangeiros, simulavam ganhos ao divulgar plataformas fraudulentas que, segundo relatos, não permitiam o saque dos valores depositados. Esses casos resultaram em operações policiais em diversos estados brasileiros, como a operação ‘Game Over‘, realizada em Alagoas, que investigou a participação desses influenciadores.
Priscila Ferreira aponta que o fenômeno do ‘jogo do tigrinho’ no Brasil reflete uma questão mais ampla: a falta de educação financeira e a insuficiência de regulamentação no mercado de jogos. Ela destaca que, embora a PG Soft tenha implementado ferramentas para verificar a autenticidade de seus jogos, ainda há muito a ser feito para proteger os consumidores contra fraudes.
Andréas Bardun, presidente da KTO, uma plataforma de apostas esportivas e jogos de cassino online, atribui parte do problema à falta de responsabilidade no marketing. Durante um seminário da ENV Media, ele destacou a importância de práticas éticas no marketing para proteger os consumidores e garantir um ambiente de jogo saudável. Segundo Bardun, é dever dos operadores ensinar à mídia o que é ético no mercado.
Segundo Bardun, o objetivo da empresa é trazer para o Brasil um modelo de apostas responsável inspirado na Europa. Ele também destacou que o sucesso do mercado brasileiro, foco da KTO, depende da implementação de práticas éticas e responsáveis, defendendo que os operadores devem investir na educação do público e na conscientização sobre os riscos do jogo, de modo a equilibrar diversão e segurança.
A expectativa é de que a regulamentação do setor no Brasil promova mais segurança e responsabilidade, com medidas como certificação, auditorias, e alertas sobre riscos. O CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) reforça essas iniciativas com diretrizes que proíbem publicidade direcionada a menores e exigem mensagens claras sobre jogo responsável. Essas ações buscam equilibrar o entretenimento com segurança e ética, especialmente diante da popularidade de jogos como o “jogo do tigrinho”.











