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quinta-feira, julho 16, 2026
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Paridade de importação passa a balizar preços internos do trigo

Entrada de safra argentina no mercado deverá conter escalada de cotações do cereal, motivada por quebra de safra, afirma consultor     |    Com informações -  Patrícia Feiten

A redução significativa nas safras de trigo no Rio Grande do Sul e no Paraná, devido ao excesso de chuvas, juntamente com a perspectiva de aumento nas importações do produto, provocou uma mudança na dinâmica de formação dos preços da commodity. O analista Elcio Bento, da consultoria Safras & Mercado, destaca que o mercado deixou de se orientar pelo conceito de paridade de exportação e, neste mês, passou a determinar cotações com base na paridade de importação, utilizada como referência para países com escassez de oferta.

A estimativa é de que o Rio Grande do Sul colha 3,3 milhões de toneladas de trigo este ano, representando uma queda de aproximadamente 50% em comparação com a safra anterior. O consumo anual das indústrias moageiras é estimado em cerca de 1,9 milhão de toneladas. Em contraste com o ano passado, quando o estado exportou 2,4 milhões de toneladas do cereal, o novo ciclo tende a ser marcado por um aumento nas importações, dada a baixa qualidade de metade da safra atual.

Elcio Bento destaca que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) tem realizado leilões de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) para apoiar o escoamento de trigo. Essas operações deslocarão estoques de trigo gaúcho para o Nordeste, intensificando a pressão sobre a oferta.

Segundo o analista, os moinhos gaúchos devem importar 350 mil toneladas de trigo na safra 2023/2024, em comparação com apenas 17 mil toneladas adquiridas na temporada anterior e 199 mil toneladas no ciclo 2021/2022. Os preços internos da commodity subiram em novembro para se ajustar à paridade de importação, que agora leva em consideração os custos logísticos para trazer o cereal do exterior.

Bento destaca que, enquanto as cotações domésticas anteriormente eram referenciadas pelos preços praticados por competidores internacionais, como a Rússia, agora são determinadas pelos custos logísticos para importação. O analista observa que, em outubro, os preços internos estavam a apenas 2,8% da linha de paridade com o trigo russo, e atualmente, o trigo é cotado em torno de R$ 1.250 a tonelada no mercado interno.

Embora Bento veja espaço para novas altas nos preços do trigo, ele reconhece que essa tendência é limitada pela entrada da nova safra argentina no mercado a partir de janeiro, que chegará ao Brasil com preços semelhantes aos praticados atualmente. O mercado, segundo o consultor, está se ajustando à realidade de preços internacionais e consolidando o novo patamar, com perspectivas limitadas de grandes elevações no curto prazo.


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