Um ano após a maior catástrofe climática da história do Rio Grande do Sul, a cidade de Pelotas é palco de um importante seminário regional de integração em gestão de riscos e desastres. O evento, promovido pela Câmara Técnica de Resiliência e Desenvolvimento da Agência de Desenvolvimento Regional da Zona Sul (Azonasul), lotou o auditório do Sicredi nesta quarta-feira (21), com o objetivo de apresentar as ações e projetos de resiliência desencadeados após a enchente de 2024.
Na abertura, a ex-prefeita de Pelotas e atual Secretária Extraordinária de Relações Institucionais do Estado, Paula Mascarenhas, relembrou o impacto da enchente na cidade e o trabalho conjunto das autoridades municipais. “Um ano da enchente e quando olhamos o que passou, fora do momento de emergência, percebemos como tivemos condições de enfrentar aquela que foi a maior tragédia climática que Rio Grande do Sul enfrentou e quanto aqui na zona sul o nosso trabalho integrado, coletivo, interdisciplinar, nos ajudou a nos protegermos a proteger a nossa população”, observou.
Para Mascarenhas, a experiência deve servir de aprendizado para o fortalecimento do Estado, com a construção de um legado que promova um diferencial competitivo para o desenvolvimento econômico regional. Ela ressaltou que, diante das crescentes ameaças climáticas, as regiões que se anteciparem e executarem planos de resiliência e resposta rápida serão as mais atrativas para investimentos privados, por oferecerem maior segurança.
Planos Estaduais e Capacitação Municipal:
O Chefe da Casa Militar e Coordenador Estadual da Defesa Civil, Luciano Boeira, esteve entre os palestrantes, fazendo um retrospecto das tragédias climáticas que assolaram o Estado desde 2023. “Ela tem 55 anos de história e o que ocorreu nos últimos dois não aconteceu nos outros 53. O Estado passou por pelo menos dez eventos extremos”, destacou. Boeira enfatizou que a única estratégia do governo para enfrentar essa crise é apresentar os projetos em andamento na Defesa Civil.
Ele detalhou o programa estadual de gestão integrada, baseado em três pilares: reforço no corpo técnico, construção de uma política estadual de proteção e defesa civil, e modernização da infraestrutura. Um dos projetos estruturantes em andamento é a rede de radares meteorológicos. “Já temos o primeiro em Porto Alegre e devemos adquirir mais três. Um ficará no Sul do Estado, outro na Fronteira Oeste e outro no Norte”, relatou.
Boeira também mencionou a modelagem hidrodinâmica, cuja licitação foi homologada nesta semana, e a aquisição de 130 estações hidrometeorológicas, visando aprimorar a capacidade de hidromonitoramento no Estado. Em relação aos radares meteorológicos, ele garantiu que, após a impugnação do pregão eletrônico, o edital será relançado assim que houver um retorno do comitê científico do Plano Rio Grande.
Concluindo sua fala, Boeira afirmou que, infelizmente, os desastres são cada vez mais recorrentes e intensos, e não há como evitá-los. “Com isto temos que investir em estruturas resilientes, na força de resposta. O governo está investindo pesado na rede de segurança pública, são aeronaves, aumento de efetivo, equipamentos seja no corpo de bombeiros, seja na brigada militar porque nós precisamos estar preparados”, completou. A meta é capacitar os 497 municípios gaúchos para enfrentar esse tipo de problema, focando na capacitação básica e, no segundo semestre, em planos de contingência municipais, instrumentos essenciais da política estadual de proteção e defesa civil.











