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sexta-feira, julho 17, 2026
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Polícia Civil Desmantela Fábrica Clandestina de Cigarros na Região Central do Estado

O caso segue sob investigação e novas prisões não estão descartadas.

Uma operação conjunta da Polícia Civil de Santa Maria e do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) resultou na descoberta e fechamento de uma fábrica clandestina de cigarros na zona rural de Agudo, na região central do Rio Grande do Sul. O local operava ilegalmente na produção de marcas paraguaias destinadas ao mercado brasileiro e tinha capacidade para fabricar até 150 mil maços por dia, o equivalente a 3 milhões de cigarros diários.

Prisões e Condições Irregulares

Durante a operação, nove pessoas foram presas, sendo sete paraguaios e dois brasileiros. De acordo com a polícia, os paraguaios trabalhavam em condições análogas à escravidão. Já os brasileiros são apontados como responsáveis pela propriedade onde a fábrica funcionava.

Um dos brasileiros, que atuava como segurança do local, foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. Questionado sobre como os trabalhadores estrangeiros chegaram à propriedade, ele permaneceu em silêncio.

Esquema de Produção e Distribuição

A fábrica clandestina estava instalada em uma antiga empresa de beneficiamento de arroz, localizada cerca de 10 quilômetros da RS-287, rodovia que liga Santa Maria a Porto Alegre. A proximidade com o Rio Jacuí indica que a mercadoria poderia estar sendo escoada para a Capital por meio de barcos.

As investigações, que duraram três meses, apontaram que os cigarros produzidos pertenciam às marcas 51 e Egipt. A produção poderia render até R$ 300 mil por dia aos criminosos, funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana.

Conexões com o Crime Organizado

Os investigadores chegaram ao local após notarem que veículos que frequentavam a suposta arrozeira estavam registrados em nome de pessoas envolvidas com contrabando e tráfico de drogas. A suspeita da polícia é que os responsáveis pela fábrica tinham ligação com um grande traficante da fronteira, na região de São Borja, estabelecendo um esquema onde cigarros eram trocados por armas e drogas na Argentina.

O delegado Alencar Carraro, do Denarc, destacou a estrutura do esquema:
“Não são amadores. Possuem grande conhecimento de mercado. A escolha de uma área de produção de arroz foi estratégica, pois servia de disfarce perfeito para a operação ilegal. Também há indícios de que estivessem aplicando golpes ao adquirir cereais sem realizar os pagamentos.”

Crimes e Consequências

Os envolvidos deverão responder por organização criminosa e pela fabricação e venda de produtos impróprios para consumo. A operação reforça a atuação da Polícia Civil no combate ao contrabando e às conexões do tráfico de drogas com outras atividades ilícitas.

 

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