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Por que o capitalismo tem tudo a ver com liberdade e prosperidade

Muito já se demonizou, e ainda se hostiliza o sistema capitalista: “desigual, privilegia os ricos, exploratório, autocrático”. Na verdade, uma olhadela na História nos mostra que o capitalismo é, sim, imperfeito, como todo sistema humano e político, mas ainda é aquele que mais possibilita mais liberdade individual e prosperidade, e não desconsidera os Direitos Humanos de forma institucional. Além de, e até por, sempre ter andado com a democracia.

O capitalismo, hoje unido ao inevitável neoliberalismo, se desenvolveu após a queda das grandes monarquias da Europa, nos séculos XVIII e XIX. Pôs em voga uma classe-média efervescente, capaz de produzir e lucrar por seus próprios méritos, dona de seus próprios meios de produção. Uma classe-média cujas conquistas, aos poucos, se estenderam a todo o povo.

O capitalismo veio pautado nas Revoluções

Industriais e em ideias libertárias, assentando-se no neoliberalismo já prenunciado, por exemplo, pela clássica obra de Adam Smith, “A riqueza das nações”. Avultou-se como antítese do absolutismo, tanto monárquico quanto ditatorial. Algoz, com o passar do tempo, do sistema feudal, da nobreza de nascença, da escravidão de afrodescendentes. Embora o imperialismo e o colonialismo (são sinônimos e reflexos da natureza humana dominadora e egocêntrica) tenham feito parte – como ainda fazem – do estabelecimento do capitalismo, afinal nada é perfeito nem ilibado nas pessoas e em suas sociedades.

Fato é que a grande maioria dos regimes ditatoriais da Era Moderna e à frente foram socialistas marxistas, autoproclamados anticapitalistas e “pró-povo”. O que se viu, no entanto, como em qualquer ditadura, foi genocídio, miséria e uma elite blindada e abastada, em geral erguida a partir de discursos ilusórios que enganaram a população, verdadeiros “ópios do povo”. Nesses casos, era projeto de poder, e não de poder ao povo, senao aos líderes do povo e sua proteção bélica: Mao, Pol Pot, Lênin, Stálin, Franco, Hitler, URSS, ditaduras sul-americanas como Cuba, Nicarágua e Venezuela etc.

Socialistas/comunistas, mas ditatoriais, lenientes com a violência ou o narcoestado, autocráticos e aliados de ditaduras? Críticos da liberdade de expressão? Exploradores de seus próprios povos miseráveis, cravejados de impostos que pouco retornam? Clamando por direitos de minorias, mas intolerantes com quem pensa diferente, ou sem ultrapassar o discurso populista que visa a obter votos e poder estatal? Que acha normal a corrupção endêmica, os fins justificam os meios?

Abrimos um parêntese, aqui, para o caso politicamente  atípico, dos regimes não-laicos, ou seja, em que religião e Estado são uma coisa só. É racional considerar que fogem à dicotomia capitalismo-socialismo, ou a conceitos políticos que estejam desarraigados de crenças religiosas como leis. Lá, impera um consenso ou uma imposição ritualístico-política.

Mas voltando ao capitalismo: esse sistema revolucionário apareceu na Europa Ocidental com a ascensão da burguesia. “Burguesia” muitas vezes é negativado: porém, não surgiu senão como inédita possibilidade de uma classe trabalhadora que podia ascender por seus próprios esforços de trabalho. Detinha os meios de produção, direito à propriedade privada, liberdade econômica, trabalho assalariado ou autônomo e acumulação de riquezas – esta, antes privilégio da nobreza, ou, em regimes ditatoriais, do Estado e dos principais aliados do Estado.

Enfim, se todo sistema sociopolítico é injusto, o capitalismo o é um pouco menos. Nele há mais liberdade. Eis a chave-mestra do capitalismo e neoliberalismo, da riqueza das Nações e do povo, das entranhas humanas: liberdade. Todos nós queremos, no fundo, ser livres em várias dimensões, sem, com isso, necessariamente ter de violar leis.

CAPITALISMO E DEMOCRACIA: UM LAÇO HISTÓRICO

Com o capitalismo democratizou-se o consumo de bens em geral, e mesmo sua fabricação e distribuição. Nesse contexto, os Estados Unidos, fundados por colonizadores – e não exploradores – protestantes iluministas que buscavam riquezas para sua nova terra, são uma peça-chave. Assim como a Queda da Bastilha na França, que derrubou e literalmente fuilhotinou a monarquia. Sim, os russos fizeram isso, mas daí veio um domínio ditatorial com milhares e milhares de execuções políticas.

Sobre os americanos, sua Constituição Federal foi concebida por um grupo de republicanos, estes que eram abolicionistas, ao contrário da maioria dos democratas. Entrou em vigor em 1789. Até hoje só recebeu vinte emendas – a Constituição Federal do Brasil de 1988 já recebeu mais de duzentas, e vem sendo, aparentemente, cada vez mais relativizada.

CAPITALISMO E HUMANIDADE

Assim, o capitalismo veio atender às demandas de nossa natureza humana claramente inclinada à disputa, inclusive pela sobrevivência, mas ainda por status e posses – como há no mundo animal. Ao egocentrismo, de um jeito ou de outro, ainda que tenhamos, muitos de nós, pendor ao altruísmo.

A despeito disso, o capitalismo em si não nefligencia os Direitos Humanos e as liberdades, como a liberdade de expressão, tal qual as ditaduras ou regimes autocráticos censuradores da opinião pública. Ao contrário: irmão que é da democracia, deu voz ao povo para escolher seus governantes, mantê-los ou não no poder, criticá-los e exigir melhores condições de vida para todos, inclusive as minorias, e mais escolhas.

MARXISMO ÚTIL, MAS CONTEXTUAL

Agora, sei que muitos lembrarão o marxismo.

Marx buscou soluções em forma de protesto e revoluções contra as mazelas causadas aos trabalhadores, em especial nas fábricas, nos anos primevos do capitalismo industrial. Considerou os direitos desses trabalhadores. Sim, Karl Marx teve sua importância, mesmo sendo um nobre e não um trabalhador, até onde se sabe, senão um filósofo observador de sua época. Falou pelos habitantes urbanos que apareciam como formigas famintas e exaustas nas novas metrópoles, vindos de zonas rurais em busca de uma vida melhor, liberdade e riquezas. Muitas vezes explorados por capitalistas industriais que enriqueciam às suas custas, e desprotegidos inicialmente pela Lei. Isso ocorreu de fato.

Só que foi uma turbulenta época transição, traumática como toda mudança social radical. Surgiam os grandes centros urbanos, as indústrias, multiplicavam-se os ofícios, veio o consumo em larga-escala. Fordismo, taylorismo, toyotismo e outras propostas de trabalho capitalista tentaram colocar regras no jogo. Nisso, sempre esteve intrínseco o grito dos direitos dos trabalhadores e a necessidade de limites aos donos dos meios de produção, muitos deles ascendidos da total pobreza e do anonimato: libertos pela liberdade da meritocracia capitalista. Bem, os direitos humanos continuam sendo aprimorados e apontados em países capitalistas, sempre se pode melhorar. Inclusive os direitos do trabalho. Mas, é claro, ainda temos muitas mazelas humanitárias.

O que é notório é que, de forma alguma, o capitalismo é ou pode ser antítese de liberdade pessoal, prosperidade nacional, democracia e meritocracia, muito menos antítese de Direitos Humanos, por sua essência e concepção. Já são outros tempos, não há como dissociar trabalho e sociedade de Direitos Humanos, exceto em regimes ditatoriais que são, na prática, o poder pelo poder.

Então, se hoje você tem um iPhone ou Samsung na mão, por exemplo, se veste Nike, Prada ou uma roupa da 25 de Março em São Paulo – a despeito da pirataria ilegal que lá ocorre; se pode estudar, inclusive EaD, trabalhar e ascender econômica e socialmente, é capitalismo e neoliberalismo. Veja como surgiram grandes empresas de tecnologia, por exemplo.

Tudo isso apesar da montanha tibetana de impostos que pagamos no Brasil para sustentar a maior máquina estatal do mundo e o Judiciário disparadamente mais oneroso. Mas, se você pode ter seus próprios méritos, para além da condição de sua família ou sua posição política, e se pode consumir o que um dia apenas uma seleta nobreza podia, é capitalismo, neoliberalismo e globalização. Não santos, não demônios. Revolucionários.

Sim, o mundo é injusto, nós sabemos. Mas onde há liberdade – de trabalhar, de falar, de se expressar, de enriquecer, de escolher seus governantes e suas leis, de ser – certamente haverá ali um laivo de capitalismo, não de ditadura; de independência, não de subserviência total ao Estado; de possibilidade de ter a religião que quiser KU não ter; de mudar, de crescer, de sonhar e realizar. Como disse Eleanor Roosevelt, esposa do presidente americano Franklin D. Roosevelt, uma verdadeira primeira-dama: “O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza dos seus sonhos”.

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